fale connosco


2012-10-28

A. Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

Companheiro Ismael Vigário: vou voltar aqui para um simples agradecimento das tuas belas palavras sobre o meu despretensioso texto; deves saber que tudo isso não são mais que devaneios duma mocidade que já passou e não volta mais na qual, necessariamente, quase todos os jovens eram românticos. Outros tempos! Hoje não é bem assim. Verifico também - o que muito me alegra - o teu romantismo e a bela lição que apresentas sobre o mesmo. Posso dizer que és dos meus! E não podia estar mais de acordo contigo. Mal de nós se, nestas insuportáveis desgraças da vida, não pudéssemos encontrar um cantinho na alma para nos refugiarmos, por isso, sabe bem ir desenterrar todas as recordações que nos fizeram felizes. E o romantismo faz-nos sonhar e ele próprio é sonho. Sou assim e não me arrependo. Falaste aí no Camilo, no Herculano, em tantos outros mas a mim o que mais me enche as medidas é, na verdade, o Herculano: prosador inimitável, cultor perfeito da nossa “última flor do Lácio”, deu á estampa esse espantoso livro - EURICO, o presbítero - que eu desbotei de tanto o ter lido e profanei com densas anotações. Quem pode ficar indiferente a Hermengarda? Como se pode deduzir, todos nós temos ou tivemos algum dia, uma mulher que nos ficou na memória; o nome não interessa. Ah! Ismael, mas este teu tópico é um poema do mais belo que se pode escrever e que dá grande prestígio a este nosso sítio dos AARs. Do meu coração, obrigado e vai-nos deliciando com mais. Abraço!

2012-10-27

ismael Malhadas Vigário - Braga (Vale de Espinho- Sabugal)

 

Gostei muito do teu texto de “reminiscências de Helena”, amigo Ribeiro. Eu segui-la-ia pelas Pampas!... Se descobrisse, como tu, que era o teu verdadeiro amor!...

 Romantismo de ontem!?.Romantismo sempre. Esta escola não se situa só no século XIX. Podemos concluir que amadureceu e se instituiu como cânone nesse tempo. Porque as sementes eram antigas e têm acompanhado o homem criador de expressões desde “sempre”. Uma das características desta escola é o primado da sensibilidade sobre a razão, a insatisfação permanente do herói (disposto a suicidar-se se não obtiver o objecto do desejo – “Os sofrimentos do jovem Werther” (1774) de Goethe. O nosso Camilo – “Amor de Perdição” (1862), em que todo o amor é sempre amor de perdição, o próprio Camilo foi a expressão consumada de um amor de perdição.

       Este amor que tantos portugueses votamos à nossa Pátria ainda é uma expressão romântica, teremos que nos reinventar num romantismo verdadeiro como alguns portugueses que nos precederam e propiciaram o nosso imaginário.

       A atual situação do país é uma lídima expressão anti-romântica. Todos os nossos tecnocratas são anti-românticos. Quebraram todos os sonhos de um povo? Daqueles que neles acreditam.

Os românticos seguem o seu vate, “Pescador da Barca Bela”, “Este Inferno de amar”, Ah! Hermengarda de Eurico, Ah! Bobo que me ensinaste a rir com o teu riso de histrião lúcido de alma...

Este povo ainda há de voltar a ser romântico.

Precisa apenas de se olhar a si próprio

Olhar para dentro

Acreditar

 fé no inefável

sentir a paisagem deste espaço

querer o longe e a miragem

e dizer que aqui ao leme

vai um povo

Que quer um novo mar

Dos novos adamastores.

Ismael Malhadas Vigário

 

2012-10-27

manuel vieira - esposende

Temos castanhas em Palmela em vésperas do S.Martinho e o tradicional magusto é sempre momento de grandioso convívio.

Ontem lambusaram-se  perdizes por lá e como refere o Alexandre, a mestria do Davide consola  quem se assente naquelas mesas corridas e parece que todos cumpriram bem as tarefas domésticas.

O Peinado insiste na história dos Encontross bienais em Gaia e eu já dei a explicação que resultou da deliberação aceite na última assembleia geral em Gaia que não teve a sua presença conforme ele nos tinha previamente informado.

É como os amores do Ribeiro, que correm em lânguida e saudosa corrente como se a Elisa ou a ditosa Helena surgissem em sonhos de esperança vã. Um belo trecho que acelerava a concupiscência dos sentidos...já longe dos muros da Barrosa.

Na rubrica "Pontos de vista" o nosso colega Gaudência comentou o último texto do Luís Guerreiro e sensibilizo para a sua leitura, sabendo que as atenções estão normalmente mais atentas ao que se escreve o no " fale connosco".

2012-10-27

A. Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

Pelo que vou lendo no nosso sitio (e ainda bem) vem o Alexandre com as perdizes abrindo azo ás castanhas, vem o Peinado a reclamar rojões e cabritadas, acções por de mais prosaicas mas que fazem debelar tristezas; e, como sabemos, estas são em número que chegue. Isto pode considerar-se o Pão, essencial e necessário, mas e como dizem, nem só de pão se pode viver. Por isso, ao ler o texto do Alexandre vejo que, embora tratando de coisas materiais, todo ele está impregnado de puro romantismo em que ele é mestre. Grande Alexandre! E claro, como eu também sou e sempre fui um inveterado romântico, lembrei-me das minhas pieguices de antanho, entrou-me esse bicho no corpo e rebuscando nos papéis amarelecidos do meu arcaz, onde tenho guardadas muitas escrevinhaduras desses delambidos tempos, lá encontrei uma delas, inspirada num amor fugidio que, pouco depois, emigrou para a Argentina, onde tinha família.

Não, não era a Elisa, essa veio muito depois; esta chamava-se Maria Helena e foi tão verdadeira como eu. Desta forma, vou pedir a vossa indulgência para o escrito, frisando que atenteis na data do mesmo para lhe ser dado o respectivo desconto. Entendo que devemos também acicatar a alma, como fazemos em relação ao corpo com rojoadas, lebres, perdizes e carrascão.

 

*****

REMINISCÊNCIA

 Amada Helena:

Amei-te um dia quando tu eras mais radiosa que a luz da aurora, mais refulgente que um corisco, mais encantadora que o luar de Janeiro, mais romântica que o voar das mariposas irisadas, mais feiticeira que a tentação. Amei-te, deveras, Helena minha, depois de me ter espreguiçado no aconchego dos teus braços, no lambisco dos teus sedosos lábios, na atracção do misterioso abismo do teu corpo. 

Como recordo aquelas tardes quentes debaixo de frondoso choupo nas margens do nosso rio onde nos deixávamos perder em beijos tresvariados enquanto o fluir do remanso do meu querido Minho ia zoando soníferas melodias. Ao longe, no confim dos morros fronteiros, caía o astro de lume, queimando a tarde e o meu coração. Trechos inesquecíveis do meu romance!

Oh! Meu adorado amor, como desejava ter-te agora nos meus braços, cingir-te num lúbrico abraço, juntar meus lábios aos teus e nesse verdadeiro rubi beber novamente a doçura do teu pecado.

Cavaleiro andante e só para te encontrar, radiosa Helena, correria vales, subiria montanhas, navegaria mares, numa frenética andança por todas as plagas do mundo, ainda que me perdesse como um pária errante, como um boémio vagabundo ao pó de interminável jornada. Mas vendo-me fenecer na reminiscência daquelas tardes de Outono que passamos, sinto que o meu dia vai findando no crepúsculo da tristeza, na resignação do meu tempo já sem tempo.

Sei que tu andas perdida nas belas paragens do país das pampas, por isso, esquece as minhas bravatas de romântico ginete e aceita apenas um fugaz aceno de profunda nostalgia.

 

Côrtes, Julho de 1954

  

2012-10-27

Peinado Torres - Porto

Bom dia amigos e compamheiros Eu não acredito que andamos todos a dormir, o que acontece é que somos muito acomodados, e por norma delegamos as nossas responsabilidades nos outros. Nunca soubemos aproveitar a riqueza que obtivemos, nomeadamente com os Descobrimentos. Após essa época aurea, nos séculos 19, 2o e no actual estivemos várias vezez à beira da bancarrota, e não aprendemos nada. O nosso sistema político conforme está organizado não serve e não presta. Concerteza que ainda temos muita gente séria e com capacidade,mas são abafados por esta corja de incompetentes, corruptos e aventureiros que ocuparam o País. Com isto o que quero dizer é que subscrevo inteiramente o texto do nosso decano MARTINS RIBEIRO. Já agora. quero-vos dizer que através das escutas telefónicas soube que o ministério das finanças encomendou L E C ( laboratório de Engenharia Civil ) e à U L ( Universidade de Labacim ) o desenvolvimento de um engenho tipo conta kilómetros , talvez batisado com o nome de conta f...., obrigatório para aplicação em todos os leitos para passarem a taxar os actos sexuais. Era só isto que nos faltava, imaginação têm eles. Aproveito para felicitar o reaparecimento do nosso amigo DAVID VAZ e espero que este meu texto não o desiluda, pois eu preciso dos rendimentos da escrita que a AAAR me paga, e portanto tenho também que manter a audiência. Amigo Presidente MANÉ VIEIRA, contimuo à espera da informação sobre a deliberação da realização dos GRANDES ENCONTROS com a periocidade de 2 anos na casa mãe. Um abraço para todos especialmente para o ALEX deve andar muito ocupado, não com as vindimas, mas talvez com a evangelização dalgumas nativas VOLTAREI PEINADO

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