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2012-11-26

Assis - Folgosa - Maia

Olá, Amigos da AAAR...

Depois do que o mestre da culinária Né Vieira e o professor Ismael disseram, só me ocorre dizer "OBRIGADO" a quantos vieram a Cabanas - Martins Ribeiro, Barros Lima, José Sacadura, Duarte de Almeida (operado na 6ª feira à garganta), Meira (que não é Meira mas nos permite continuemos a chamar-lhe assim em vez de Sr. Silva, não venha de lá o Jardineiro da Madeira a reclamar os direitos de autor...), Manuel Vieira, José Castro e Mário de Oliveira -, mas também a quantos me telefonaram a dizer da sua impossibilidade em estarem presentes: Freitas Escaleira, Humberto Morais, Gaudêncio, Peinado Torres, Arsénio, Alexandre, Delfim e Aventino. Para que ninguém fique de fora, o meu obrigado também a quantos desejosos de virem, por qualquer razão não puderam. Creio que não faltou ninguém. O Peinado, ainda tentou iludir-nos com um novo telefonema dizendo que estava à entrada de Orbacém com um motorista...grande maroto, a vontade não lhe faltava, também a todos nós. "Uma vez por mês, já é muito", diria ele e nós compreendemos...

No adorno da mesa partilhada por todos, uns com isto, outros com aquilo, foi farta como sempre. E foi alegre, embora o tempo não ajudasse. Pena tenho em que não tivessem escutado a sinfonia dos melros e rouxinois costumeiros. Os músicos tinham as unhas frias e as gargantas roufenhas e por isso fizeram gazeta. Para o tempo das favas e das ervilhas prometem apresentar-se afinados. Ainda apareceu o companheiro Pisco, mas nem ele cantou, apenas piou. Tive de responder-lhe, é claro. Hoje porém já se apresentou mais alegre enquanto eu preparava a terra para as pencas. As minhocas devem-lhe ter afinada a garganta.

Os diospiros estão no resto, abundam ainda os physalis - foi o amigo Ribeiro quem me ensinou a escrevê-los de forma aristocrática - as laranjeiras e tangerineiras vergam com tanta fruta e são já um convite para quem por aqui possar dentro de um mês e pico... E por aqui me fico. l

2012-11-26

Delfim Pinto - almada

Do Padre Mário...sabe-me a pouco...

2012-11-25

Ismael Malhadas Vigário - Braga

Com a descrição gulosa que o Vieira fez dos manjares em Orbacém  é, de facto, de fazer inveja. A tarde escorria calma, como diria o Eça no conto d ‘ O Tesouro, mas enquanto neste conto a paisagem partilhava de um cenário lúgubre, na cabana do Assis partilhava-se a amizade à volta de umas papas, de castanhas assadas e, sobretudo de muitas falas e risos à mistura.

                É sempre festa quando os amigos se juntam, mesmo quando para isso é preciso fazer tantos quilómetros. A força e a generosidade vêm do coração e só ele alimenta verdadeiramente. O repasto vale e vale muito, mas o que mais conta é a força que leva os amigos ao encontro uns dos outros.

                Sinto-me contente por o Vieira ter partilhado esse encontro e por não perder esse e tantos encontros, à procura de amigos da Barrosa, deleitando-se com o gosto da memória e recriando uma vontade que não pode morrer, enquanto a saúde lho permitir. E oxalá que lho permita para poder continuar a ser uma força de solidariedade e de incentivo à amizade.


2012-11-25

manuel vieira - esposende

O dia de ontem estava escuro de núvens  e ligeiramente frio. Em Cabanas as chaminés fumegavam e de longe a paisagem parecia natalícia, amaciada pela lenta nebelina entre montes.

Na "cabana"  do Assis  sentia-se o afago da lareira e lentamente o grupo se foi juntando.

O último foi o José de Castro que prometera saciar-nos com umas entradinhas de alheira e paio dos lados do Pinhão, primorosos em generosidade gustativa. Um vinho do Porto branco daquela vila duriense, com uma subtil casquinha de limão requintou um brinde à amizade.

O Castro ia justificando a proveniência dos enchidos enquanto deslizava a faca bem afiada em largas fatias que iam desaparecendo sobre pão fresquinho de mistura de milho.

Na cozinha aprimoravam-se os rojões com outras subtilezas de porco que iam acompanhar um arroz  guloso de estrutura bem minhota.

Dispôs-se a mesa e a panelinha a fumegar empratou generosamente de arroz de sarrabulho bem escurinho e de carnes desfiadas, quentinho e de comer à colher.

Saboroso, com os cheiros pronunciados dos cominhos e o toque contrastante do limão a fraturar a substância das carnes porcinas, este arroz de sarrabulho enchia a alma, acolitado pelos rojõezinhos e tripinhas enfarinhadas, mais o bucho, o fígado e sangue cozinho bem passados no tacho, bem ao modo das gentes do vale do Lima.

À sobremesa a macieza de um leite creme sobre bolacha torrada com cobertura de canela e em uso no Minho nos dias de sarrabulho, seguiu religiosamente a receita  tradicional. O que distingue este leite creme de outras receitas é a particularidade da bolacha que absorve lentamente a humidade do creme , a que se junta o polvilhar da canela como substituto do açucar queimado por ausência da ferramenta adequada, mas que completa bem.

O grupo era de 8 e tivemos a companhia do Padre Mário da Lixa, amigo do Assis e que foi uma presença muito agradável.

De tarde usamos a lareira do Assis para assar as castanhas com outras cozidas para satisfazer preferências, acompanhadas de uma jeropiga abafada pelo Meira na sua quinta que produziu também os vinhos servidos durante o lauto almoço. Completamos o lanche com as alheiras trazidas pelo Castro, que eram magníficas na sua consistência e sabores.

A tarde esteve sempre sombria mas na "cabana" do Assis o clima é sempre bom. Mas as tardes deste tempo também são curtas e a luz do dia foge sem contemplações. Tivemos que dar os abraços aos que ficaram e eu e o Meira rumamos aos destinos  da partida matinal.

E destes Encontros e Reencontros se vai reforçando a AAAR, quase sempre a uma boa mesa que em tempos de inverno aquece o corpo e anima a alma.

 

2012-11-20

manuel vieira - esposende

O nosso colega Meira não é fã das novas tecnologias como instrumento de comunicação e até o telelé vive modestamente condicionado.

Mas é um entusiasta  da convivência com os seus antigos colegas e daí ter sido o único nortenho a rumar há dias até à sagrada Palmela dos olivais estreitos.

Já hoje me ligou a marcar lugar na Quinta do Assis e partiremos juntos de Esposende, acompanhados do seu verde branco casta loureiro que tão bem produz na sua quinta para os lados de Braga.

É deste entusiasmo que os grupos se alimentam e se reforçam. Também o Assis já ontem colheu os fetos secos que lhe avizinham a casa e servirão para abafar o calor que coze as castanhas.

Claro que o seu recanto em Orbacém tem um encanto que deslumbra e envolve e se a nossa vida se completa pelas oportunidades que se aproveitam, um magustinho na montanha do Assis vale pelo gozo que transfere.

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