fale connosco


2013-01-23

manuel vieira - esposende

O nosso Ismael Malhadas Vigário, que o Delfim diz não conhecer ainda, mas talvez por lapso de memória, inaugurou a imagem no fale connosco, com alicerces num texto que aborda a amizade.

A celebração dos 80 anos do Martins Ribeiro vem na senda da "festa" em homenagem aos 80 do Luís Guerreiro no dia 18 de Julho de 2009 em Caminha, uma jornada de grande amizade que só teve mais sol, tal o entusiasmo dos comensais de ambos os acontecimentos.

Ficamos ansiosos por novas celebrações da marca octogenária e os candidatos andam por aí.

2013-01-23

António Peinado Torres - Porto

 Bom dia companheiros e amigos AARS.

Hoje é um dia muito especial para mim, pois celebro o aniversário de quem me deu o SER e me fez ver a luz do dia.

 É portanto motivo suficiente para abordar o convivio que tivemos no passodo dia 18.

 Desta vez coube a iniciativa do evento ao nosso caro ALEX, um convivio simples, como mandam os tempos que correm ,mas cheio de significado, duma sã convivência, fraternidade e alegria.

 Da gastronomia já falou o nosso Presidente, foi uma ementa própria para aniversário.

 É com estes encontros que se reforçam os nossos laços de amizade, e para quem ainda tem dúvidas, alguns de nós percorreram centenas de kilómetros para estarem presentes no aniversário do nosso DECANO MARTINS RIBEIRO, dobrando a língua ou seja a escrita, Sua Excelência o MARQUÊS DE VALDEVEZ. Também de cultura foi o repasto, pois o ARSÉNIO abriu os discursos lendo como ele sabe um belo texto, e também a poesia de Pessoa pela voz timbrada do AVENTINO, houve mais elementos a falar e bem .

O ponto mais alto do convivio, foi ouvir a palavra do aniversariante, ele não só nos delicia com os textos que por vezez nos envia, mas não é menos encantador quando nos fala, por isso e mesmo sem ALVARINHO teve muitos de nós à sua volta.

 Foi enternecedor, e quando se falou que os presentes ( EX-reclusos ) já são todos maduros, a sensibilidade de todos nós fez-nos estremecer.

MARTINS RIBEIRO, para o ano já não é surpresa, conte com estes rapazes e outros que se juntarão, como diz o OUTRO " que se lixe a crise " ( as eleições ), um grande abraço para si , deste AAR que muito o estima. VOLTAREI Peinado

2013-01-23

Delfim Pinto - Almada

Ismael que ainda não tive o prazer de te conhecer:

Obrigado e um abraço por me teres escolhido este pequeno/enorme texto.

2013-01-22

Ismael Malhadas Vigário - Braga

Sobre a amizade e o seu sentido, gostei sempre muito deste texto. É possível que Pessoa tivesse conhecimento deste escrito, pois antes de ser poeta, necessariamente, que também foi um grande leitor. E sabemos que lia muito os autores greco-latinos e os alemães (Nietzche e Shophauer eram autores da sua preferência)

(E agora digo eu: não queiramos demais desta vida humana que nos és dada.

Sejamos fiéis a esta natureza que que nos anima.

 Sorvamos o hálito natural que nos originou.

Vivamos com a tolerância de que somos caminheiros de um destinho que pouco compreendemos. )

Nietzsche: Amizade Estelar


"Nós éramos amigos e nos tornamos estranhos um para o outro. Mas está bem que seja assim, e não vamos ocultar e obscurecer isto, como se fosse motivo de vergonha. Somos dois navios que possuem, cada qual, seu objetivo e seu caminho; podemos nos cruzar e celebrar juntos uma festa, como já fizemos – e os bons navios ficaram placidamente no mesmo porto e sob o mesmo sol. Parecendo haver chegado ao seu destino e ter tido um só destino. Mas, então, a todo-poderosa força de nossa missão nos afastou novamente, em direção a mares e quadrantes diversos, e talvez nunca mais nos vejamos de novo – ou talvez nos vejamos, sim, mas sem nos reconhecermos: os diferentes mares e sóis nos modificaram! Que tenhamos de nos tornar estranhos um para o outro é da lei acima de nós: justamente por isso deve-se tornar mais sagrado o pensamento de nossa antiga amizade! Existe provavelmente uma enorme curva invisível, uma órbita estelar em que nossas tão diversas trilhas e metas estejam incluídas como pequenos trajetos – elevemo-nos a esse pensamento! Mas nossa vida é muito breve e nossa vista muito fraca, para podermos ser mais que amigos no sentido dessa elevada possibilidade. – E assim crer em nossa amizade estelar, ainda que tenhamos de ser inimigos na Terra".

(Nietzsche, A Gaia Ciência, aforismo 279)

2013-01-21

Arsénio Pires - Porto

Já que estamos em maré de Fernado Pessoa, aqui vai mais um belo poema dele.

Parece que feito também para nós!


"Um dia a maioria de nós irá separar-se.
Sentiremos saudades de todas as conversas atiradas fora,
das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos,
dos tantos risos e momentos que partilhámos.

Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das
vésperas dos fins-de-semana, dos finais de ano, enfim...
do companheirismo vivido.

Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre.

Hoje já não tenho tanta certeza disso.
Em breve cada um vai para seu lado, seja
pelo destino ou por algum
desentendimento, segue a sua vida.

Talvez continuemos a encontrar-nos, quem sabe... nas cartas
que trocaremos.
Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto
se tornar cada vez mais raro.

Vamo-nos perder no tempo...
 
Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e
perguntarão:
Quem são aquelas pessoas?
Diremos... que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto!

- Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons
anos da minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito.
Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente...
 
Quando o nosso grupo estiver incompleto...
reunir-nos-emos para um último adeus a um amigo.
E, entre lágrimas, abraçar-nos-emos.
Então, faremos promessas de nos encontrarmos mais vezes
daquele dia em diante.

Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a
sua vida isolada do passado.
E perder-nos-emos no tempo...

Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não
deixes que a vida
passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de
grandes tempestades...
 
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem
morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem
todos os meus amigos!"

                              
                            Fernando Pessoa

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