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2016-12-22

manuel vieira - esposende

Hoje recebi o nº40 da Palmeira e confesso que gostei muito. Arejada e com diversidade de autores que me surpreendeu, apreciei bastante a sua apresentação e a curiosidade de alguns temas em textos bem dimensionados a satisfazer a leitura.

Os Encontros anuais facilitavam a recolha dos contributos para patrocinar a Palmeira e o Arsénio procurou num pequenino texto sensibilizar os leitores para a necessidade das habituais ofertas que vão permitir a publicação da nossa revista, que dá bom alento à Associação.

O ano 2017 deverá permitir a organização de um Encontro Nacional que geograficamente  será preferencialmente na bela região de Aveiro, com grande potencial de recursos naturais e de património e uma localização favorável. Acho que estamos a precisar de dar um abraço grande, embora não possamos esquecer  a importância dos pequenos Encontros que tanto têm contribuido para o reforço da amizade. Mas a seu tempo daremos notícias.

Esta semana faleceu em Amendoeira, Macedo de Cavaleiros´, a mãe do nosso colega Jorge Serapicos, com quase 100 anos. Mais uma vez  apresento as nossas condolências.

"O meu conto de neve" do Alexandre Pinto encheu-me as medidas e não foi só pelas filhozes festivas que referenciou ou o chá de sabugueiro milagrento acrescido das gotas ternurentas do bagaço puxado. Também o poema botou lume.

E claro, também li  a referência ao menino de Belém, ao homem da festa, que estes dias enche de leds de ouro e prata as noites frias das cidades e estendem as cores num frenezim de movimentos estilhaçados.

Estes dias tenho conversado com alguns dos nossos colegas, alguns em conversas longas que já tinham perguntado por mim. É verdade que os ares natalícios temperam-se também com a necessidade de conversas e também algumas à mesa e alguma nostalgia torna-se cíclica.

É verdade que cada dia tem a noite e que os silêncios fomentam as palavras e ninguém se afasta pois tudo tem significado no nosso viver.

Já se vê a tal estrela que aponta a oriente e como escreveu o AP na capa da nossa revista "de onde chegas tu que fazes branca a noite do caminho que seguimos?"

Meus amigos, votos de umas Festas muito Felizes e claro, com muita saúde ...

2016-12-21

Delfim - Messines

Não fosse o esfanicar do meu cordeiro, mais branco que a neve, mais ternurento que se pode imaginar...E o render-se à minha perseguição...Em vez de se enlear no meu pescoço... por exemplo... seria, para mim um lindo conto das neves brancas.

Obrigado,

Delfim

2016-12-21

alexandre Gonçalves - palmla

 

 

 

O  MEU  CONTO DE NEVE

 

Quanto tinha dez anos, apascentava uma infância rústica, cercada por ásperos montes e medos que gelavam a espinha dorsal. Era um rebanho de inquietações, que incluía gado bovino, caprino, canino, asinino e improváveis desejos de futuro. Em fundo, uma paisagem de granito medieval, arbustos rasos e entre estes lobos esfaimados, espiando a sua oportunidade de ataque. O mundo acabava na penedia parda e musgosa, com centenários carvalhos a gritar que ali era um lugar abandonado por Deus e pelos homens. Em dezembro anoitecia subitamente, não havendo meios para distinguir o dia e a noite. Porque esta se vestia de um branco azulado e onírico. 

Foi assim que no alto dos lobos, num giestal sinistro e longe de presenças humanas, aconteceu este conto arrepiante. Não havia  horas, nem o som do sino, nem uma referência que identificasse caminhos ou veredas. A neve, de tão abundante, uniformizava o crepúsculo. Seria dia, seria noite, seria um pesadelo de febre mortal? Na confusão sonâmbula, um súbito som cósmico e aterrador assustou o meu cordeiro, o meu irmão, o meu amigo das horas longas em terras de mil demónios. Ele é mais branco do que a neve. Na brancura da noite, apenas o distingo pelos movimentos da fuga. Corro, grito, choro. E quanto mais grito e corro, mais ele se afunda no giestal e nas moitas. Pressinto que os lobos já o estão a esfanicar, para uma eficaz digestão do banquete. Mas eu não desisto. E já longe do universo, em noite velha, o cordeiro rende-se à minha perseguição. Como dois fantasmas, aos solavancos nas irregularidades do solo, vamo-nos aproximando do ponto onde se iniciou a fuga. O som do horror nocturno ainda se ouvia entre sombras e clareiras de neve. O gado bovino dormia calmo no caminho, como se uma ordem superior lhes impusesse a detenção. O "piloto" não arredou pé, como se em ausência de dono o comando lhe pertencesse. Uma cabrinha arisca deve ter tido tanto medo, que se aninhou entre os bois maiores.

Comovi-me com tanta bondade, que me apeteceu desistir da espécie humana e integrar-me progressivamente no reino animal. Era a noite das "filhozes", tanto de as virar na caldeira de azeite ao lume, como de as trincar ainda quentes. Olha que não é bom comê-las quentes, dizia minha mãe com boa intenção. Para mim não era bom, era óptimo. E papava mais do que meia dúzia.

Hoje neva mortalmente em todo o mundo. Tremo de frio e de raiva. Faço tudo em silêncio. A infância que eu apascento não tem desejos, nem brinquedos, nem "filhozes". Tem um gado mais dócil que o menino de belém. E uma febre delirante, mais perigosa que a loucura. Chego tarde ao curral. Prendo os animais e deito-me serenamente sobre a neve, solidária com os meus sinistros pensamentos. Peço à neve que me cubra com o lençol mais branco e luminoso que puder. Peço à neve que aproveite a circunstância para matar o menino que ali se deitou sobre a palha fria. Achei que era simples. Bastava adormecer. A febre aniquilou as últimas defesas e eu morri como um menino, que não tem direito aos dez anos feitos alguns dias antes. A morte teve dois momentos distintos. Primeiro, comandado pelo delírio, aconcheguei-me à neve que já se acumulara lá fora, entre alfaias e restos de lenha esquecida. Confesso que achei descanso na doce brandura, que se acomodava ao peso do meu corpo. O que restou de mim foi morrer lá dentro, rente ao calor animal do gado que eu apascentava. No dia seguinte, minha mãe ressuscitou-me com chá de sabugueiro e mel. E uma gota de aguardente, de efeitos milagrosos.

O meu conto de neve nada tem de verdadeiro. É apenas uma alegoria para esclarecer que é muito fácil matar um menino. Mas isso não é grave. Basta um chá de sabugueiro, com ou sem mel, com ou sem aguardente. Ele ressuscitará milagrosamente no dia seguinte.

 

CÂNTICO  DE  NATAL

 

(A todos os meus amigos, a todos os meninos, especialmente às meninas, que atravessam o nosso tempo sem qualquer protecção. Com infinito amor. A.)


Tu estás em casa protegida,

nem ouves lá fora o horror:

esta noite tão apetecida

nem sabe que é noite de amor.

 

Quem lá vem com ramos de oliveira?

Que nome tem o som que faz?

Uma voz percorre a terra inteira,

cantando cânticos de paz.

 

Tudo é paz no silêncio da neve,

que branco torna até o mar:

esta luz tão branca de que serve,

se não nos serve para amar?

A.G.



2016-12-19

António Manuel Rodrigues - Coimbra

Mesmo os mais distraídos já terão dado conta que está chegando o Natal.

Se fosse eu O Tal Menino, depois de festas tão longas e tantos Pais Nata, este ano amuava e não aparecia por cá.

Mesmo que não houvesse vaquinha nem burriquita nem, sequer, uma cabrinha, mesmo assim, deixava-me estar por lá. Uma mãe, o aconchego de seu colo fofinho e uma ou outra mulher solidária nunca faltaram a ninguém. A ansiedade paternal pouco dura e pouco ajuda. Tempos houve em que, retirados do local, depois de tudo compostinho, lhes era levada a boa notícia.

Neste ano, isto seria assim se eu fosse o menino. Sendo Ele Quem é, dadas as provas sobejas de não ter emenda cá O receberemos de novo. Assim sendo, um bom Natala para todos vós e para todas aquelas boas pessoas que vos acompanham e/ou aturam.

António Manuel Rodrigues


2016-12-19

Arsénio Sousa Pires - Porto

A PALMEIRA 40 está a chegar a tua casa.

 

BOA LEITURA!

 

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