fale connosco


2013-02-11

manuel vieira - esposende

"O poema em cima da mesa" do nosso Ismael Malhadas regurgita memórias que invadem lo frontão com o jogo do beto, o campo de cima e o campo de baixo, os ecos do bosque onde encostava o "castelinho" que ainda se ergue agachado junto ao edificado moderno a servir talvez de espaço de vendas em formato de contos misteriosos.

Curiosamente o formato em verso das últimas mensagens vem exibir o potencial criativo dos nossos colegas e muitos se escondem ainda atrás do frontão, quando conhecemos e já lemos até algumas das suas criações poéticas em outros ninhos agasalhados.

A Palmeira é um espaço de tradição de poesia e tanto lá como cá a "solidão dos agapantos" é um corredor por onde " corremos todos à procura de uma ilusão" como versejou o Ismael.

Eu ando mais virado para as texturas e sabores e por aí vou dando voltas à minha inspiração poética apostando mais na Fisiologia do gosto pois, como diria Brillat-Savarin nos seus aforismos " O universo não é nada sem a vida e tudo o que vive se alimenta" e "o Criador, ao obrigar o homem a comer para viver, convida-o com o apetite e compensa-o com o prazer".

Fevereiro, Março e Abril são meses de pratos de excelência como os da conhecida lampreia...

2013-02-11

Ismael Malhadas Vigário - Braga

  O poema em cima da mesa,

deslocavam-se  as palavras latentes do tempo

 de brincadeiras ecos de rapazes no bosque.

 A pelota ressoa no frontão

 toca de esquina e cai no chão

 vaivém de bola, foge a vitória em desmazelo da mão.

 Correm os rivais em aperto de passo

desprende-se o beto em inépcia de relapso.

 

Oiço vozes  à distância de um quarteirão

vêm fogosos  e de raquete na mão,

passam em rasgões  de foguetes

e fazem  piruetas de tantas tentações.

Montou a pelota o frontão,

 corremos todos à procura de uma ilusão.

A todos parecia uma bola real

e não sentíamos ser  uma bola de sabão.

Amanhã não há pelota por contramão,

jogamos à peçonha ou cosemos a bola de capão.

Tentemos o speedball que não foge da mão.

                               II

Hoje é a vez da baliza de trave no chão

 ergamos juntos o pau como um balão,

subiu o alpinista  no cavalete do João

e das costas do decano  saiu um grito!...

Agora não é golo!... Não?!...

E à força d’ um prego de solho

seguramos o edifício da nossa paixão.

 

Temos campo e bola rota a ziguezaguear

que mais queremos nós?!...

venham  – disse o perfeito:

“está ali a carrela pr’a alisar o  campo,

 amanhã é jogo de torneio de quarta-feira”.

A bola está pronta para enfrentarmos o piruetas

 traz truques na manga para fintar o decano,

pensa-se melhor,  à  falta de fair play,

o que mais lhe falta é força nas canetas

 e que avance  com confiança e sem tretas!...

2013-02-08

ANTÓNIO GAUDÊNCIO - LISBOA

É inútil dizer o que se pensa.

Se é frouxa a frase, é nada; e é vã se é intensa.

Cada um compreende só o que sente,

E entre alma e alma a estupidez é imensa.

Julgo que Fernando Pessoa  exagerou ao expressar-se deste modo neste seu poema porque, numa primeira leitura, ficamos com a sensação de que é inútil dizer o que se pensa. Mas, para o contraditar, eu creio que "tudo vale a pena se a alma não é pequena" e por isso vou escrevinhar meia dúzia de coisinhas, quanto mais não seja para contentar o Arsénio. Todavia, mesmo sem o apelo dele, já eu tinha pensado " na minha cabeça " em aparecer para não cair no olvido.

A primeira ideia que me ocorre ( e há que aproveitá-la já) é de  enaltecer, outra vez, este nosso " sítio " pelo mérito que tem de nos pôr a falar uns com os outros e de, normalmente, nos deliciar com  textos muito bons e com largo interesse. Se analisarmos apenas as últimas três ou quatro entradas, verificamos que o Aventino, na sua forma habitual, nos brindou com um belo texto que nos remete para  recordações e épocas onde subsistem conflitos  mal resolvidos ou ainda não resolvidos ( pelo menos no meu caso ).

Logo a seguir surge o nosso decano, Martins Ribeiro, a relembrar-nos que vida só há uma e quanto mais a prolongarmos melhor.

O Peinado dá-nos um quadro, praticamente, igual mas com outro tipo de alegrias. Ele vive, ele vibra com coisas que alguns teriam algum pejo em confessar, ele sorve a vida e preocupa-se em viver o dia a dia com uma intensidade que nos comove.

O Arsénio aparece a convidar-nos para uma maior participação o que, convenhamos, é sempre bom pois " todos não seremos demais" para relançar temas, recordar episódios, falar das coisas nossas e de outras. Mas era interessante e importante que tantos "ex-reclusos" ausentes viessem também contar aqui as suas mágoas e alegrias, as suas experiências, eventualmente, traumáticas e que partilhassem connosco um passado que, pelos vistos, ainda pesa sobre os ombros de muitos deles. Venham, companheiros, nós ajudamos a aliviar a carga!!!

Do Alexandre não vou falar pois ainda não tive tempo bastante para ler e " digerir " o texto, mas foi ele que me deu uma pequena dica para  terminar este pobre escrito com um pensamento de Teixeira de Pascoaes:

"O HOMEM não suporta sempre a mesma esposa, nem o mesmo Deus. É um nómada de origem. Parado, degenera em bicho doméstico ou reumático, - aborrecido." 

Amen, digo eu!!!!!!!!!!       

2013-02-07

alexandre gonçalves - palmela

 

NOVAS BEM-AVENTRANÇAS

 

Dissecada a amizade até ao limite do tolerável, até onde a letra o permite, ocupemo-nos com urgência do seu espírito. Isto é, façamos dela um caminho de cumplicidade, para que a Palmeira seja verde, móvel e incómoda. Não aceleremos o tempo. Ele tem um ritmo próprio. Não precisa da nossa precocidade. O céu bem pode esperar sentado, que nós somos da terra. Bem-aventurados os que resistem, porque deles é o pão-nosso de cada dia! Pode a argila inclinar-se e perder a arrogância anatómica doutras eras. Mas lá dentro mora ainda um homem, que acena com a cabeça um grande NÃO. Que ri desta fraude, desta farsa civilizacional, que nos querem vender a preço de saldo. E por isso, saúdo e honro todos os que discreta ou explicitamente afrontam com feroz denodo o peso dos dias e as agressões do tempo. E não são poucos. E em nome deles todos, exalto aqui dois nomes, dois guerreiros exemplares cuja coragem nos deve inibir qualquer desistência. São eles o Peinado e o Ribeiro. Um, porque nenhuma ameaça lhe tira o bom humor, nem a euforia de estar vivo. O outro, porque acumulando anos os troca pela sabedoria e pela doçura deslizante da memória. E por aquela garra de Oliveira, a dar peso à leveza da imagem. Saúdo também a consciência disto tudo e dum passado que sendo comum é contado sucessivamente por muitos, segundo a luz que a cada um assiste. A esse respeito, cito as "palavras vagarosas"que ainda praticamos na (vã?) procura de "verdades transparentes", como diz Pires. Ou aquela dor remota, que a memória traz de volta, por já não haver quem nos espere. Na estação dos caminhos de ferro ou na paragem das carreiras cancerosas das aldeias. E o trágico portão enferrujado, que selava metalicamente o nosso silêncio. Aventino, chamaste "mau" àquele deus que nos foi vendido como pai. Eu acrescentaria que além de mau era perverso, castrante e tarado. Muito semelhante aos deuses helénicos. Ao menos estes largavam o Olimpo e misturavam-se com os humanos, roubando-lhes as mulheres e fazendo filhos de qualidade. Deuses e homens deram à Grécia o grande século de oiro de Péricles, inventando a democracia, a liberdade, a justiça e o VALOR. E já agora, Aventino, bem-aventurado sejas por um pai desse tamanho! Gostei muito de o conhecer nesse retrato breve em sépia e em ternura.

                   Felizes os que têm pai,

                   mimosos os que têm mãe:

                   eu não tenho nenhum deles,

                   eu não pertenço a ninguém!

2013-02-06

Arsénio Pires - Porto

Escreve, amigo. Aqui.

Comenta o não comentável.

Diz que sim e diz que não. Ou que talvez.

Importante é que te sintas vivo.

Faz aqui a tua prova de vida antes que os dias te engulam.

Estás no sítio em que só vale a memória.

 

Saibas que quando só lembrares tempos idos,

o fim está próximo.

Partir é só regressar ao início.

 

Comenta enquanto há tempo.

Comenta

o Aventino,

o Alex,

o Assis,

o Ismael,

o Peinado,

o Vieira,

o Martins Ribeiro

e os outros todos também.

 

E espera.

Ela a Palmeira está próxima!

O dia está quase a rebentar.

Mas antes de a aurora

“de róseos dedos” nascer

haverá sinais terríveis no céu.

Os homens levantar-se-ão uns contra os outros.

Os justos perecerão aos pés dos infiéis.

As reformas dos velhos

como tu

serão assaltadas à mão armada!

Haverá choro e ranger de dentes.

Depois, do sol descerá

a Palmeira.

Chegará em todo o seu esplendor.

Para julgar os vivos e os mortos!

Quer partilhar alguma informação connosco? Este é o seu espaço...
Deixe-nos aqui a sua mensagem e ela será publicada!

.: Valide os dados assinalados : mal formatados ou vazios.

Nome: *
E-mail: * Localidade: *
Comentário:
Enviar

Os campos assinalados com * são de preenchimento obrigatório.

Copyright © Associação dos Antigos Alunos Redentoristas
Powered by Neweb Concept
Visitante nº