fale connosco


2013-06-08

Assis - Folgosa - Maia

A caça aos gaios está por mim declarada desde ontem...

Entrei em estado de cólera, meus amigos. Não digo que tenha sido influenciado pelo Alexandre, embora tenha lido na véspera e com agrado, o seu belo trabalho. Nem tão pouco pelo exame de italiano, quiçá meditadamente elaborado com antecedência pelo Ismael Vigário, não tivesse ele de entrar na corrida da greve professoral. Nem mesmo pela história do Herege das Beiras, herege que nós tão bem conhecemos. Entrei em estado de cólera porque, ontem, penetro no recinto das favas por mim tardiamente semeadas, devido às muitas chuvas que por Orbacém este ano cairam. De metro em mão, tentava já fazer a medição das mesmas,  quando me deparo com meia dúzia em forma de serrote da poda. Ratadas de alto a baixo, os grãos ainda tenros e de leite haviam desaparecido. Furioso, olho à volta para tentar descobrir o possivel ladrão. "Omnis perit labor..." foi a frase do corvo latino quanto me veio à memória. Tanto trabalho para nada, pensei. Eu que, com tanto carinho, havia amanhado a terra, lançado a semente nos regos, esperara pelo surgir das plantas e as havia estrumado e regado, via agora tudo ir parar à pança de uns gulosos ladrões. Não, não podia ser. Haveria eu de ir ao mercado comprar favas para dar aos meus amigos e com eles partilhar a "favada" há tanto tempo prometida? Não. Guerra aos ladrões, foi o meu grito de cólera. Recorri, à falta de melhor, à ajuda dum mosquiteiro que ainda se encontrava embalado dentro da caixa. Protegidas já pela rede mosquiteira, fui descansar. Dormi, mas sempre com o pensamento nas favas. Hoje, ainda o sol mal anunciava o dia e eu já tentava descobrir na horta passos que me pudessem conduzir ao ladrão de favas. Estavam lá todas sâs em tranquilo repouso aguardando o calor do sol. Olho à volta e nada, apenas o canto do pisco se fazia ouvir desde a alta magnólia. Já de regresso a casa, um grasnar roufenho veio do alto da cerejeira. Era o gaio, talvez o mesmo que me havia comido algumas já o ano passado, pensei. Pareceu-me estar zangado comigo, pois de novo grasnou e desta vez com voz mais roufenha. Repliquei-lhe: "Foste tu que me foste às favas, seu sacana...como já o havias feito o ano passado..." Pareceu-me - feito silêncio - ter dele escutado que "o ano passado ainda não tinha asas para voar"... Talvez...mas, se não foste tu, foi o teu pai, acrescentei. E virei costas. A guerra estava declarada a partir daquele momento. Ele ainda tentou aterrar mais uma vez sobrevoando a rede mosquiteira, mas em vão. Dei uma gargalhada e até um palavrão me passou pela mente. "Para a próxima serás corrido à fisga", disse-lhe ainda.

Esta tarde fui novamente fazer a medição das ditas. Já maiores do que ontem, mas ainda não atingem os 42 cms de 2012. Talvez uns 15 dias mais e elas estarão prontas para entrar no Panelão do nosso Cozinheiro Mor, Né Vieira. O convite está feito para quem desejar e puder vir ao lugar de Cabanas. O data será anunciada dentro de breves dias. Até lá, guerra aos gaios e outros... os melros.

Aquele abraço.

 

2013-06-07

José Manuel Lamas - Navarra-Braga

As águas e as trutas do rio Vez, na praia da Valeta, serão de boa qualidade?
 Li no jornal Correio do Minho na página 22 na edição de 6/6.,
  Foi avaliada como má a qualidade das águas do rio Vez, no sítio da praia da Valeta, após analises realizadas pela APA (Agencia Portuguesa do Ambiente).
 Ao receber tal relatório,o sr francisco Araújo,(presidente da camara) para provar o contrário, resolveu encomendar um estudo científico, a ser feito por investigadores da Universidade do Minho. E a terminar, o sr Francisco Araújo garante que enquanto se realiza o tal estudo científico, quem se vai encarregar de demonstrar que as águas do Vez são de excelente qualidade. _  são as trutas que por lá abundam, os patos que nidificam nas margens mais as lontras que por lá passam de vez em quando.      
  Será fiável tal demonstração ?  Talvez seja boa ideia, perguntar ao nosso Decano Martins Ribeiro. Até a próxima e que seja breve.   Abraço a todos.

 

2013-06-06

Ismael Malhadas Vigário - Braga

Quando abro o computador, vou sempre ao nosso sítio. Hoje encontrei o texto do Alexandre. E, como sempre, uma delícia. Tinha ideia de abrir o tal sítio e debruçar-me sobre o trabalho : uns testes estafados de uma turma do 9º ano que são o reflexo de um país em cacos. Mas o texto do Alex segurou-me até ao fim. E fico sempre com uma sensação empolgante: o Alex, com a sua palavra, toca-me. E li-o até ao fim e mais leria se houvesse… Sempre aquela sensação de que o nosso colega, com a sua palavra me põe a pensar e a sentir sobre a escrita que as palavras mostram. Um mundo sempre novo, mesmo que sejam sempre as nossas eternas palavras. E há amor nas palavras, e há ternura nas palavras e há a vida ou a ausência dela. Ao ler o texto do Alexandre tenho sempre a tentação de o partilhar com os amigos. E porque sinto esta sensação? Quando o Alexandre escreve, toca num pedaço da vida, numa ternura, num desejo, numa sensação épica, num desconsolo pusilânime, numa fresta da vida que é preciso preencher. E fá-lo, com a ternura e a magnanimidade do seu verbo. E recorre aos gregos, fonte máxima das suas imagens inspiradoras: à entidade racional e irracional do ser.

2013-06-06

manuel vieira - esposende

Ler o Alexandre com a riqueza prosaica e o preciosismo linguístico que satisfaz sempre, é um privilégio dos que convergem neste espaço.

O amor encaixa sempre nos seus textos e nas suas conversas e destinei-lhe estas linhas fresquinhas de hoje em mera narração imaginada e curtida. Qualquer semelhança de nomes é mera coincidência:

“O padre Zé erguera a mão direita em gesto de bênção final, dedos ligeiramente encolhidos e a cruz arejada em movimento solene, quando avistou o Alexandre ao fundo da igreja , diluído na penumbra do recanto, pertinho da pia batismal, granítica de traço largo e redondo.

Herege”, balbuciou baixinho enrugando o tez chisnado pelo verão quente das Beiras….

O Alexandre ouvira tocar o sino e olhando pelo vidro baço da curta janela empoeirada pelo tempo avistou Luz do Céu, fresca de cabelos soltos, vestido leve a seduzir os ares de uma adolescência madura.

“Vai fermosa e não segura” lembrou o Alexandre refazendo o grande poeta e acelerou as vestes batendo a porta a caminho da missa dominical.

A fragrância baldia do ligeiro caminho misturava-se com a sensualidade esbelta em passo esguio de Luz do Céu que passava já o umbral da porta da igreja.

O Alexandre aligeirou o passo, levantou com jeitinho o ferrolho da porta e bateu-a suavemente para fazer escutar a chegada.

Luz do Céu pressentira movimento e atirou um ligeiro olhar para a entrada, ajoelhando-se de seguida e benzendo-se em ar recolhido, rodando os cabelos soltos em escondido sorriso.

Alexandre encostou ao gradeamento rude do baptistério e escolheu o ângulo certo da visão angelical deixando no ar a ofegância do caminho apressado e da ansiedade ligeira.

Durante a missa esgrimiu ligeiros laivos de tosse em movimentos espaçados a confirmar presença e esteve ausente do padre Zé.

Dizem que o Alexandre trouxera saberes do seminário que deixara e exibia-os no banco corrido do pequeno largo da aldeia, lembrando de amiúde o episódio dos vendilhões do templo e os ares críticos de uma fé deserdada que chegara célere aos ouvidos do vigário.

 

O padre Zé fletiu longamente e atirou o olhar sobre o altar até ao fundo e de novo, muito baixinho, repetiu o murmúrio: “Herege”…

2013-06-05

Ismael Malhadas Vigário - Braga

La questione non è fare del bene quanto entrare in relazione … passare dalla violenza alla tenerezza: la tenerezza è quando il nostro corpo, il nostro animo, il nostro spirito sono unificati. Essere a proprio agio con il nostro corpo. La tenerezza è aver assunto la propria sessualità, non averne paura, non temere la relazione con l’altro. La tenerezza è il modo in cui una madre porta in braccio il suo bimbo, il modo in cui un infermiera cura le ferite. La tenerezza è mai fare del male a un povero. La tenerezza è una qualità di ascolto, un modo di toccare. Amare qualcuno non vuol dire fare delle cose ma rivelargli il suo valore. Tu hai dunque un messaggio da dare: la tenerezza. E questa tenerezza s’impara in comunità: “noi siamo tutti poveri, tutti feriti. Abbiamo tutti bisogno di mostrare il nostro potere. La comunità è il luogo dove si ricevono gli shock, dove s’impara a perdonare. Io nella vita comunitaria ho scoperto la mia stessa violenza. Ma oggi posso dire che, quando leggo sul giornale che un uomo ha ammazzato suo figlio, non dico “E’ cattivo”. Dico: capisco se io non fossi stato in comunità, se non fossi stato sostenuto avrei potuto fare lo stesso genere di cose.»
 

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