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2013-04-29

Arsénio Pires - Porto

O voto é a arma do povo! – lembrou-nos o Gaudêncio recordando os muros do PREC.

Eu  digo:

O voto é uma arma sem gatilho!

Eles, os donos do nosso voto, têm o gatilho e a bala. Nós damos-lhes a arma. E aplaudimos!

E eles usam-na quase sempre contra quem neles votou ou não votou.

Conclusão:

Com arma ou sem arma serás sempre “uma coisa que paga impostos”!

Por outras palavras, serás sempre #%”$&%.

Faz-lhes um manguito à Bordalo Pinheiro!

2013-04-29

ANTÓNIO GAUDÊNCIO - LISBOA

Pegando no tema do nosso amigo Lamas, também eu me confesso zangado, irritado, ludibriado, funguiçado e com uma grande vontade de pegar num varapau ou numa escopeta e começar a espadeirar em tudo o que me tem, nos últimos tempos, desmoralizado e atormentado a vida.

Mas não concordo com essa treta do VOTO. No tempo do PREC algumas paredes do País estavam pejadas de frases, umas giras e outras profundas, cuja origem se atribuía aos anarcas. Ora, de entre essas frases, fixei uma que relembro agora porque me parece vir a propósito:

Alguém escreveu numa parede :  O VOTO É A ARMA DO POVO 

Resposta do anarca : SE VOTAS FICAS SEM ARMA, POR ISSO NÃO VOTES

2013-04-28

JOSÉ MANUEL LAMAS - NAVARRA - BRAGA

Motivado pelo Alexandre e o Ismael, digo : eu tambem não sou Deus mas, estou zangado. Zangado, não com a Associação, mas com o que ao País diz respeito . por isso tambem me sinto infeliz, mas não sinto as dores deste povo e pela simples razão, que a este povo nada deve doer. Tem este povo nas mãos, uma poderosa arma (VOTO) e é por não ser devidamente utilizada essa arma, que os coelhos ainda pastam neste quintal.                                                                                                                                                                                                                                                                                     Esperemos que algo mude e depressa , a continuar assim isto não vai acabar bem.

2013-04-27

Assis - Folgosa - Maia

Um paraíso a dois passos do inferno

Ontem, dia da Liberdade, passado no recanto de Folgosa. Hoje, já de regresso ao meu encanto de Orbacém e ainda na auto-estrada, ao longe uma coluna de fumo anunciava-me que o inferno dos incêndios estivais estava à porta. Vinha eu distraído com a viagem projectada ao nosso Douro e eis que o pensamento do inferno tomou de assalto, contra a minha vontade, o seu lugar. Calquei no acelerador e em poucos minutos alcancei o Caminho do Fradinho. Respirei fundo, pois o fogo que varria a floresta encontrava-se ainda a vários Kms. Abro o portão da quintinha e entro . O fogo não vai cá chegar, pensei: o vento sopra do mar para leste e portanto nada há a temer. Descarregado o carro, vejo sobre a relva várias folhas de eucalipto já queimadas que o vento trouxe pelos ares. Mau!... Pouco depois escuto o ruído dum helicóptero que chega carregando um baldo de água. O fogo sentia-se agora também lá ao longe. O vento mudara de sentido, para nordeste. A portar-se assim, o fogo acabará por atingir a encosta por nós habitada. Uma meia hora mais e o lardo de S. João - o do cruzeiro partido - estava recheado de carros e de caras várias, umas conhecidas e outras que eu nunca vira. Vieram também os bombeiros em carros pequenos e em auto-tanques, cinco corporações ao todo, disseram, para combater o fogo em quatro frentes. Todo o mundo opinava: "Não chega cá, vai noutro sentido", "os bombaneiros não vão conseguir parar o fogo com o vento que sopra", "realmente...vai ser difícil", "só um helicóptero para um incêndio destes...um canader, sim, acabaria com ele...", "mas este hélio é enorme...", "sim, mas só leva mil litros e ainda deixa cair metade pelo caminho e o rio ainda fica longe..." "pois é." - Seguiu-se um longo silêncio e todos nós olhávamos atónitos o fumo negro que se espalhava já por vários kms. "Como irá progredir o incêndio?", alguém pergunta ao bombeiro que se apeava do camião grande que acava de chegar. "Ele tem muito que comer neste mato e não temos bons acessos, mas estamos cá cinco corporações para o combater desde as 14,30 h. Vamos passar aqui todo o dia de hoje, toda a noite e certamente também amnhã". Era o chefe duma das corporações e ele sabia tudo sobre incêndios. Felizmente parece que, por vezes, também os chefes se enganam. O fogo progrediu mais rapidamente do que ele pensava e ainda não haviam passado duas horas e já as línguas desse mesmo fogo varriam toda a encosta. De mangueira em mão juntei-me aos bombeiros e, com eles, procurámos que ao menos as casas fossem libertas do infernal fogo. Era já noite, por volta das 21,30 hs, os soldados da paz, todos suados, bebiam um sumo e comiam uma sande...Davam por acabada a sua tarefa, só os chefes ficavam no largo para fazerem as contas da operação. O inferno passou a dois passos do paraíso...- Como agradecer a estes bons soldados da paz? Um copo de água fresca, foi quanto lhes oferecemos, nada mais quiseram...e foram ainda eles a agradecer a quem lhes oferecia um simples copo de água fresca, como se a não houvessem ainda merecido... - Obrigado, amigos Bombeiros! Sem a vossa ajuda, amanhã, os meus amigos não iriam poder partilhar a beleza deste cantinho. Nem uma pétala foi beliscada e o inferno passou a dois passos do meu paraíso... Mil vezes Obrigado.

2013-04-26

Ismael Malhadas Vigário - Braga - Gualtar

Caros, amigos

Será que sou poeta? Que aquilo que escrevo se assemelha a poesia? A poesia é um modo de estar sozinho, como dizia um poeta digno deste epíteto. De qualquer modo, escolho palavras e frases curtas, porque fujo melhor à censura e me sinto mais livre, porque menos marcado pelo verbo argumentativo. De qualquer modo, sei que dizer é também não dizer, porque nunca se diz o que se quer, nem se diz o que se deve dizer ….Daí que as minhas frases quebradas, não sendo a expressão lídima de um qualquer género literário, são no mínimo uma expressão de uma ousadia, onde misturo muito de mim e, nem sempre cumpro a máxima  Kantena e da Aufklarung: “sapere aude! - ousa servir-te do teu próprio intelecto”.

Também não estou feliz com o que se passa no nosso país e sinto demais a dor deste povo, daí o recurso ao tema da ira, para aceitar o repto do Alexandre.

 Dies Irae

Desceram das colinas e juntaram-se nas praças,

encheram ruas e ocuparam esplanadas solarengas,

traziam olhos ressabiados e descriam do futuro,

  erguiam nas mãos fachos de vingança.

Houve tempo em que entoaram canções e exibiram palmas e ramos de oliveira.

E, no caos e desespero, elevaram à morte.

E a traição espalhou-se até aos confins.

E a turba que antes o aclamava, agora pronunciava a palavra de raiva

e dos olhos brilhava o ódio num alvo definido: morte.

II

E as mãos eram cutelos a elevarem-se bracejantes à volta da raiva,

 as mãos empunhavam cartazes de revolta

e da boca saíam gritos mais que humanos

e as nuvens recuavam de medo em horizonte sem luz.

 Cresceram as lágrimas das montanhas

e pronunciaram as palavras eloquentes de Brecht: “do rio que tudo arrasta se diz que é violento, mais violentas as margens que o comprimem”.

E as águas tumultuosas desceram irosas

e juntaram-se em lagos de multidões de gritos lancinantes e desenfreados!...

E em movimentos céleres procuraram o algoz que provocou tanto desespero,

e todos, em gritos, sentiram a força de uma ilusão:

e às mãos erguidas, em riste, ninguém lhes deu a palavra,

com ânsia, a procuraram à força da entoarem,

e do concerto das vozes, chegou uma música de dor,

em grande mar de sofrimento!... sentirem-se filhos de um deus menor…

 

III

Dies irae

 na falta dum futuro anunciado,

a negra nuvem a fechar o horizonte do pregão sem eco:

 a morte dum país que se esquece,  à força do querer desacreditar.

E o lobo e o cordeiro não comerão juntos,

e o cordeiro tornou-se lobo e o lobo não se tornou cordeiro,

e o tempo não é um tempo de direito,

e a paz não existe em tempo de cólera,

quando o  trabalho não é trabalho e o amor não é amor.

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