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2013-06-16

Antonio Peinado Torres - Porto

 Boa tarde COMPANHEIROS.

 No passado dia 13 um punhado de AARS, em plena festa de Stº António, rumaram até S, Frutuoso, náo, não é uma colina com uma capelinha lá no cimo.

 Fomos em peregrinação levar o nosso abraço e a nossa vivência pós Seminário ao JOSÉ LAMAS que tão oportunamente, se deu a conhecer nesta PÁGINA. Era surpresa!

 Reunimo-nos às 12 horas na porta da estação da Refer em Braga, tomámos 2 carros celulares, e lá fomos até ao restaurante que o nosso Decano e o Presidente já mencionaram, e eu vou repetir, porque ´produz iguarias alimentares de alta CATEGORIA, chama-se S. Frutuoso.

 Quando entramos, com excepção do Né Vieira, ninguém conhecia o Zé Lamas, mas o ex-recluso reconheceu-nos, a alguns de nós, e porquê ? porque quem escreve para a PALMEIRA arrisca-se a ficar conhecido, dado que ao publicarem os  textos também publicam a nossa foto.daí o rapaz que mostrou um sorriso de alegria e felicidade, pois até os olhos se humedeceram, pois associou a nossa presença à reserva de mesa que efectuamos.

 Foi-nos apresentada a esposa Dª ARGENTINA, que é A CHEFA DO LABORATÓRIO, afável e simpática e que nos acompanhou muitas vezes durante o repasto.

Bom como diria o ALEX, acomodámo-nos à volta do LENHO, tratamos de aconchegar a barriga, lubrificar A GOELA com um verde branco da região, e quem também gostar de doces, além da variedade são de origem CONVENTUAL, como convém a qualquer ex-recluso como nós.

 Saí da ermida convencido de que tinhamos batizado mais um EX-RECLUSO. Embora sabendo que a vida profissional deste casal é muito absorvente, todos os que lá estivemos, viemos encantados com o acolhimento que nos foi dado dada a familiariedade em que nos envolvemos nas nossas conversas, que como sempre são transversais, umas vezes cáusticas, outras vezes factos da actualidade e nesta rúbrica não faltou o Papa Francisco, com muitas dúvidas, mas com uma apreciação bastante favorável à acção e postura que tem tido, mas ainda é muito cedo para fazermos um balanço, daí, se calhar na próxima vez que nos sentemos à volta do LENHO para degustar a célebre " FODA À MONÇÃO " que já está na forja, talvez tenhamos mais informação a respeito da sua actuação.

 Os passos que tem dado agradam-me, mas ainda não me convenceu, e tenho dito Voltarei Peinado

 

 

2013-06-16

alexandre gonçalves - palmela

 

 

PAISAGENS DE SETEMBRO


 

Finalmente! Que os deuses sejam louvados e agraciados com as mais luminosas medalhas de mérito. Os ARES vêm de nordeste e convocam-nos para a vindima. Os frutos suspendem-se ao longe, carregados de ouro, de alabastro e de púrpura. É a idade certa para os colher. Já não podemos fazer poemas de amor, sob pena de sermos asfixiados em público. Noutros tempos, tudo nos era consentido. Agora esperam de nós uma seriedade madura, isto é, inclinada, rente ao solo, como é próprio dos guerreiros aposentados. Em rigor, a mudança sazonal é cheia de oportunidade. No inverno, um encontro que não tenha em fundo qualquer aconchego, ou sugestão de fogo, é obviamente proibitivo. Na primavera, tínhamos um abril encharcado pela chuva, um maio e um junho a distribuir morangos e cerejas. Mas estava para trás uma páscoa cheia de coehos ameaçadores, sempre a passar rentes ao quintal onde moramos. Não houve legume ou erva que eles não rapassem...

  Do verão nem se fale, desses dias de fuga e de ausência. E de tristezas discretas, como quem esconde uma dor pelos danos causados pela vida. Venha setembro. Vamos vindimar setembro. E não apenas uvas ou figos. É o que a fala nos trouxer e a memória confirmar. Setembro traz-me sempre a primeira entrada pelos portões ferrugentos, sugerindo metálicas mandíbulas de arcaicos animais. Ou o regresso dos  muitos caminhos já andados. Em vila nova, setembro traz de longe a recatada Madalena, onde "nem a casta Susana tomaria banho", tanto era o pudor que nos envolvia o desejo. A poente, era um mar atlântico, de louvar a Deus, pedregoso e eremita. A nascente, era um obscuro canavial, onde a imaginação, destravada de hormonas e medos, inventava crimes e prevaricações. Não sendo já da terra, mas não pertencendo ainda às colinas do altíssimo, eram aí os banhos em agosto e setembro, num sossego idílico, entregues a jogos múltiplos, a leituras piedosas e edificantes. Mas isso não garantia um regresso à virtude. Os educadores sabiam que o mundo era um antro contaminador. Era urgente uma purga, uma desinfecção geral. Era imperioso afastar das mentes quaisquer gestos, desejos ou actos que sobrassem das escassas férias familiares. A receita, inspiradas em teorias de terror psicológico, eram três dias de retiro. Isto é, um caldo intragável em que se misturam, por um lado, o último rosto que olhou para nós, os joelhos que se cruzaram e descruzaram sem a nossa cumplicidade, a volumetria que irrompe súbita pelos sentidos. Por outro, um pregador medieval, viajado por toda a história da Igreja, especialista em teorias de inferno e de culpa. Tudo terá de acabar no perverso salmo cinquenta, exactamente como Gregorio Allegri o musicou e gerações sucessivas de corais o interpretaram. E mais não se diz sobre isto, para não suscitar a justa fúria de quem já esqueceu. O esquecimento é muitas vezes um grande acto de inocência.

Mas setembro desagua agora para DOURO. Desagua agora na nossa idade verdadeira. Sabemos agora de que é feita a viagem que perdura. Os socalcos são os sucessivos patamares. A cor púrpura das uvas e do sangue que as alimenta é o que se colhe das árduas sementeiras. O rio que rasga o ventre das montanhas é aquele que ao longo dos dias abriu caminhos de passagem. Esta viagem é autobiográfica. Ao longo dela, como num filme de intimidades, poder-se-á ver o percurso já feito e avaliar o que se escolheu, o que se recusou. E mais que tudo, a água que se foi acrescentando ao caudal deste rio, que sendo ibérico é do mundo. 

Deixa a tua vinha em paz. Deixa os teus cuidados entregues ao Sr. Gaspar. Prepara-te, porque este verão não é teu. É desse pesadelo, cujos passos de agonia vão cirandar por toda a parte. E de outros bonecos de corda, na tentativa verbal de pagarem o que devem. Portanto, não tens desculpas. Precisas tanto de nós quanto nós de ti. De resto, não te esqueças de que até agora só não te roubaram o tempo. E estamos em crer que até te deve sobrar. Guarda-o para setembro. Os ARES de nordeste vão ser um anti-oxidante vitalício! 

2013-06-15

Arsénio Pires - Porto

Nasci para estar calado. Ou, pelo menos, para espalhar poucas palavras.

Os meus pais ensinaram-me que as palavras vêm depois do trabalho.

(De preferência, durante a ceia.)

Que as palavras devem ser para abençoar. Para bem-dizer. Para respeitar. Para amar.

 

Hoje, cada vez mais calado, assisto ao espectáculo das palavras

que correm indiscretas como o vento,

e peço para mim os versos do nosso Jorge de Amorim:

“Não digas palavras vastas

porque é triste”.

 

Dei volta ao mundo não sei já quantas vezes. E regressei.

Hoje já quase só viajo por dentro de mim.

(Revejo todas as fotos sem sequer abrir o álbum).

Sim. Vejo que vi quase tudo ou pouco mais que nada.

Que tudo é rio que corre.

Que muito cedo somos tudo o que no futuro havemos de ser

e que, desde jovens, não modificamos mais do que a roupa que vestimos.

(Temos o roupeiro atafulhado de fatos).

 

Nasci para estar calado.

Mas, por vezes, apetece-me falar.

É o caso. Desculpem qualquer coisinha!

Portanto.

 

 

 

2013-06-14

Aventino - PORTO

De longos silêncios se faz uma grande voz. De reserva, clausura ou ausência, se fazem estes vivos AAR´s que ainda vivem. Uns exaurem-se, outros falam-nos de sobrevivência, outros ainda do sonho dos dias que sonham.

E ouço este eco triste do desencanto, esta desgraça de desgraçar a felicidade.

De que vos queixais, senhores? Que sonho tendes? Que fizesteis vós pela humanidade? Por Portugal? Por este terno caminho a caminhar para quem vier, cinquenta anos, cem anos, mil anos, os nossos filhos, os nossos netos, a eternidade?

Sou um ser de afectos, de amor, de agradecimento ao mundo pelo tanto e tanto que me deu. "Gracias à la vida que me há dado tanto!". Vós sois do melhor que há no Universo.

Se sou feliz é porque tu me ajudastes a esse lugar. Puxaste a cadeira, sorriste, alimentaste o poema que veio ao nosso encontro. Mas não estou totalmente contente contigo. (Nem comigo, claro! Não, não quero estar contente comigo. O meu querer é não querer-me).

Por favor não me fales de comunas (que odeio), de funcionários-contra-o-público (que também odeio), de sindicatos, de centrais sindicais, desses parasitas a que os comunas chamam de trabalhadores, (que também odeio) de bairros sociais, de rendimento mínimo, de fundo de desemprego, de direitos dos trabalhadores (que odeio). Por favor, fala-me das obrigações dos "trabalhadores", de gente honrada, de carácter, de cultura. Fala-me de Redentoristas, de gente pobre mas vertical, de gente que antes quebrar que torcer, de gente que ama, luta, trabalha, sofre e tem esperança em Portugal. Fala-me em quem paga impostos, contribui, luta, faz riqueza, progride, e continua a gritar PORTUGAL. Fala-me de quem é útil ao nosso País: Os outros "não valem nada, nem que seja eu".

 Por favor, quero que não excluas ninguém, que integres, que eleves o parco nível deste nosso conversar. Abre o teu ventre, sonha alto, "para seres grande, sê maior" (Fernando Pessoa) e deixa que digam que somos "Redentoristas", que fomos seminaristas no Seminário de Cristo-Rei porque, na verdade, nos últimos tempos, a nossa qualidade não tem sido qualidade. Nenhuma.

Por favor, imploro-te: Sê maior!

 

2013-06-14

A. Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

Antes de mais vou entrar aqui para manifestar o meu desvelo quanto ao almoço daquela meia dúzia de "malucos" da AAR, da qual faço parte, que estão sempre em todas e que ontem nos levou á colina de Montélios e ao restaurante S. Frutuoso, mais com o fim de cumprimentar o nosso ex-companheiro J. Lamas e sua esposa que o de satisfazer qualquer gula. O povo simples, no seu vernaculismo puro, chama arroz de frango ao arroz de frango e os modernos e excêntricos bacocos peguilham que é arroz de pica no chão: seja como for, a Dª. Argentina, como exímia cozinheira, apresentou um arroz de tal estalo que quem o "picou" sofregamente fomos alguns de nós. Já tinha intenção de aparecer, porém, verifiquei que o nosso Né Vieira, sempre oportuno, já se havia antecipado. 

Tem piada que eu disse durante o repasto, em conversa informal que, ultimamente, o nosso site estava um tanto a resvalar para a morbidez e vejo também que o Gaudêncio quase me adivinhou o reparo. Não é que não devamos respeitar os nossos mortos mas entendo que isso deve ser feito, de preferência, na intimidade dos arcanos da nossa alma. 

Na "pedrada" atirada pelo Gaudêncio sobre o loby gay porventura existente no Vaticano devo dizer  que também nesse almoço se aflorou tal tema: pelos vistos, alguns AARs não deixam cair nada em saco roto e espingardeiam logo. A mim, pouco me interessa que haja ou não gays no Vaticano e concordo com todas as acções que se levam a cabo para extirpar essa bicharada, mas creio que ninguém poderá levar tal missão a bom termo, chama-se ele Xico ou Gaspar. Para isso, tornar-se-ia necessário que quem se propusesse fazê-lo deveria ter um poder quase ilimitado que lhe permitisse cortar a direito e estar a salvo de contra-ataques demolidores e só o próprio Deus tem, na verdade, o chicote contra os vendilhões. Sempre me ensinaram que Cristo garantiu a S. Pedro que as "portas inferi" nunca prevaleceriam contra a sua Igreja: tenho fé de que não, mas que o chifrudo está nela bem infiltrado, lá isso está! Anda por aí muito boa gente gente com pena dos "pobres dos paneleiros"; gente hipócrita! Não me faleis sequer nessa pestilenta casta, não tanto por levar a marca quanto por ser perigosa; vejam bem, tudo o que se constitui em loby representa perigo e há que estar acautelado. Não me faleis em panascas que nem vos quero ouvir.

Até um dia destes!

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