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2013-08-23

Alves Diamantino - Terras da Maia

Quem sou eu, para vos dar uma  “SAPATADA” !!!!!

Sou, só  um melro  sem melodia, entre a ramagem deste espaço. Mas se desejais, sou

ainda,  um ex recluso da primeira hora, não renegando, ser antes de tudo, um

ex seminarista, onde na filosofia dos seus valores, permanece a amizade.

Sonharam os AAARs, aninhar-se um dia nos beirais do Douro Vinhateiro. Passado o

desvaneio, ultrapassamos o querer, resta-nos só o concretizar.

Então, onde está o insaciável apetite do Grande Encontro 2013 ?!

Assumiram-se compromissos verbais e pessoais, estimados AAARs. Existem prazos a cumprir. No momento o TGV sulista passou a vagonete silenciosa. A caravela do norte encalhou, não por falta de vento, mas pela falta humana em içar a vela. Em linguagem rodoviária, não existem AAARs para um mini bus, percorrer alguns dos trilhos de Torga. Como nós, pequenas andorinhas, compreendemos a diversidade dos estados de espírito. Uma vezes, é o ar irrespirável em voltar a sentir as raízes, outras…..outras, é o “ Deo Gratias”  habitual.

 

                            INSCREVE-TE JÁ,  ainda vais a tempo.

 

Deixa-nos recordar-te “Carpe Diem quam diem minimum credula postaro”.

Vem beber mais um saboroso trago da nossa água “AAARs”. Vem refrescar os teus sentidos com Torga, “água impoluta da nascente, é pura poesia / Que se dá de presente /às arestas da humana penedia / pela graça infantil da vossa mão”.

 

Estimados Amigos e companheiros, a DOIS de SETEMBRO  avaliaremos o número de inscritos. Perante os números tomar-se-ão decisões. Informamos que só se garantem as refeições, visitas e/ou dormidas, aos que para tal se inscreveram.

 

 

Em voo rasante, um cordial abraço das andorinhas Belmiro e Diamantino.

2013-08-19

A. Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

      SÃO MARTINHO

     

 

             

      Rapaziada amiga: estou de novo aqui para vos informar de que já regressei ao meu quintal após uns dias de descontração que procurei encontrar na lindíssima aldeia S. Martinho do Porto, junto do mar.  

         Aos anos que eu já lá não ia!

     Noutros tempos, andava muito por aquelas paragens, quando os meus filhos eram pequenos e frequentava aquelas bonitas praias de S. Pedro de Muel, Nazaré, Vieira de Leiria e outras. Mesmo quando por ali calhava de passar entrava sempre nessa lindíssima povoação de S. Martinho do Porto que muito me impressionou então pela sua beleza.  Era quase um paraíso perdido, dos poucos que ainda sobram no nosso Portugal e dos quais já pouco resta. 

      S. Martinho do Porto chama a atenção pela sua baía, denominada poeticamente de concha de S. Martinho porque, na verdade, se assemelha mesmo a uma concha  cheia de águas calmas e lisas que mal rebentam na areia com o marulhar de um sussurro.  Na base dessa enseada, lá ao fundo e por onde o mar penetra, podem ver-se vagas alterosas com alvas cristas de espuma, como que expressando a sua cólera por lhes ser barrada a entrada na baía por via da estreiteza da garganta formada por dois promontórios escarpados. Ao longo da praia, de uma ponta a outra, uma grande avenida em forma de ferradura acompanha a curvatura das águas. Já lá dormi certa noite, aqui há uns anos, numa residencial que ainda lá está situada numa praceta  sem ruídos nem confusões e,  desta vez,  se exceptuarmos as novas vias de acesso  e bastantes obras de melhoramento na  zona urbana,  encontrei  quase tudo na mesma.  

Subi depois até à capelinha de Santo António, postada no cimo de uma arriba e lá me deixei ficar, absorto, a sorver haustos de ar puríssimo e a admirar o esplendor da paisagem, dum lado sobre a concha e do outro sobre o mar aberto e profundo.  Pena é que a febre das construções já tenha poluído, em parte,  tão singelo e genuíno santuário. Na frente da ermida e no lado esquerdo da fachada estão painéis de  azulejos com versos e com o relato de uma lenda. 


 

Os versos dizem assim:


             Santo António

 

Do nicho d'esta capella,

Que está em cima do Monte,

P'ra proteger todo o már, 

O Santo fica a rezár, 

Se vê sumir-se uma vela,

Na linha azul do horizonte!

 

E reza, reza... coitado, 

Porque, em terra ha mais d'uma,

Mais d'uma noiva, que o Santo, 

Não quer que tenha por manto,

Por alvo veo de noivado,

Uma murtalha d'espuma...

 

        Francisco P. de Magalhaẽs e Menezes

                       São Martinho   1896 

 

    Desta vez fui lá passar uns dias de descanso para fugir ás rotinas da vida. É claro que também não podia deixar de aproveitar os bons petiscos que se podem apreciar por aquelas paragens: um saboroso arroz de marisco na Nazaré, um cantaril grelhado escolhido a dedo em Peniche, um esquisito pão-de-ló de Alfeizerão, umas trouxas de ovos de Alcobaça, umas originais cavacas das Caldas (nada de confusões) e uma ginginha - com elas - em cálice de chocolate na histórica e vetusta praça de Óbidos. Ah!  E como se estava no reino do peixe, assim foi também pelo caminho: na ida, um gostoso ensopado de enguias na Gafanha da Nazaré e, no regresso, umas extravagantes e cheirosas sardinhas assadas nas dunas da Apúlia.

    Só foi pena não ter tido a acompanhar-me todos os meus amigos AARs.


2013-08-12

Alexandre Gonçalves - Palmela

 

 

ELEGIA  DE  VERÃO

 

Depois de ler a doçura quase mel, quase frutos vermelhos de época, que o Aventino semeou por estes campos que o verão devora, não fui capaz de ver e de calar. Eu bebia esse norte ou esse sul, esse mar belo ou monstruoso, com a devoção de um aprendiz de feiticeiro, tão enfeitiçado me senti nessa prosa envolvente e feminina, atravessada por desejos em vias de extinção. Há nas suas sugestões um programa inteiro para fazer da terra um jardim de sentidos. Eu bebia, eu comia, eu corria, eu até levaria o Álvaro de Campos para mudar a vida. Mas eu estou sentado no cimo do morro mais azul da ibéria. Isto é, no sul que abre este mar português mítico, sem outras ondas que as do leite num púcaro de pastor. Olho do alto da idade e como quem se lança no abismo desço pelos dias dos verões antigos. E comovo-me. Este mar do sul (aí no pardo norte cristão vocês não sabem o que é ser mouro do sul) é a pureza da luz, a brancura imaculada dum corpo que se despe, um olhar estonteante que nos encandeia. O céu e o mar do sul fundem-se na mesma tela, com pessoas vagarosas lá dentro, com memórias de infinitos matizes. Num lugar assim, ora muito alto, ora coberto duma espuma lenta de perfumes e desejos, não se pode nem trabalhar, nem sofrer, nem fazer qualquer coisa pela humanidade. Quando muito, apetece dissolver-se no elemento aquático, para não ter de aturar os prazeres duma democracia tão letal como esta.

Apesar de tudo, esse norte-sul de que fala o Aventino é uma alternativa brilhante, para partir, para regressar, para esvaziar a mala e retomar a malha densa dos dias trabalhosos. Como o tempo já vai sendo muito, eu não resisti à melancolia dum sul que tudo nos promete e tudo nos vai dando, mas  por escassos intervalos de esperança. Aí nasceram versos elegíacos, para dizer que o verão se perdeu sem culpa formada. E que as doces lembranças fazem de setembro e outubro um álbum espiritual, para abrir em dias de chuva ou de frio, com música de piano ao longe. 

 

Estou sentado num lugar azul,

tão alto que se funde com o céu:

daqui te falo, meu amor do sul,

do pardo mar que nos aconteceu.


Falo deste verão que está passando,

tão lento, tão inútil, tão devasso.

Procuro desde aqui o vento brando

que em nós morava dentro dum abraço.


Eu sei, não nos amámos nessa espuma,

que se desfez na areia num segundo.

Mas sabes bem que havia aquela duna

que em segredo sabia o que era o mundo.


Perdemo-nos nas ondas do verão,

num tempo tão azul como este céu.

Eu segurei-te o corpo pela mão, 

mas nem sequer sabia se era teu.


Passou agosto, não passou setembro.

Em outubro fizemos um retrato.

Do que passou depois já não me lembro,

tudo jaz num silêncio de recato.


Estou num lugar alto, muito alto,

sentado em cima desse tempo azul:

ainda trago o corpo em sobressalto, 

das dunas destruídas neste sul.


Que mar foi este que assim nos tornou,

tão frágeis, tão chorosos e tão sós?

Qual de nós neste mar se equivocou

e tristes nos deixou dentro de nós?


Estou sentado sobre o tempo breve.

Olho ao longe um azul infinito.

Ainda se respira um vento leve,

mas esta paisagem é um grito.

2013-08-11

AVENTINO - Porto

O BELO E O MONSTRO

Agora que partes, é melhor que partas para um lugar que fale a tua identidade. E se já no ano passado aqui deixei algumas sugestões de lugares que podem ajudar à nossa felicidade, aqui volto de novo, não na esperança que por lá te encontres mas na esperança que por lá te percas. A vida não pode ser como o poema de NERUDA "morre lentamente quem evita um paixão" , mas pode ser como nos diz NERUDA "evitemos a morte em doses suaves".

Então carrega a tua taleiga, a tua família, o desencanto dos teus dias, e parte. Partir não tem hora nem idade, nem aeroporto ou estrada. Partir, é o teu coração que se abre ao sorriso da novidade e da descoberta. É isso. Vá, vai, vai! Amanhã, quando acordares, diz à tua mulher: "já fizeste a mala?! é que vamos sair em viagem". E é tudo. O resto é uma conquista que vais conquistando, quilómetro a quilómetro, como os dias belos que foram todos os dias que vieram depois de nos termos libertado do Seminário.

Em Vila Praia D'âncora encontrarás o mais belo e o mais feio do nosso maravilhoso Portugal. Uma praia extensa, a água límpida, o belo em luta com o monstro. Construções verdadeiramente horríveis, prédios podres, o cimento e o betão ali postos pelo homem em busca permanente pelo dinheiro. Esquece isso, larga-te ao longe, e almoça. Restaurante Fortaleza. Marca a mesa, fala com o senhor Vitor, diz-lhe que me conheces ou não digas nada e almoça. Lavagante cozido com salada russa ou robalo grelado escalado, vinho Alvarinho a acompanhar e antes de tudo, uma bebida de entrada: pede uma caiprinha com pouco álcool. Depois, surpreende-te com a conta. E parte.

Vais para Sul ou vais para Norte?  

Para Norte, almoça ou janta na Casa Álvaro em Valença do Minho, e segue. Por favor, não pares nem em Tui nem em Vigo nem em Santiago de Compostela. Tu és um homem de bom gosto, de lugares bonitos, de terras com vida. Não te percas em Santiago. O Apóstolo morreu no século I d.c. e a cidade é talvez a mais feia de toda a Península Ibérica. Parte para a Coruna e descobre-a. A costa da morte, a natureza rude e pura, os ventos a mostrarem-nos a pequeneza humana.

Se fores para sul, pára em Matosinhos e come umas lagostinhas na Marisqueira de Matosinhos ou uma alheira, bacalhau fresco, um flute de champanhe na Casa de Pasto Palmeira (Passeio Alegre, Foz do Douro, Porto) ou então, se fores de empanturrar, empanturra-te de comida transmontana na Presuntaria Transmontana em Gaia, em frente à Ribeira.

Mas não te esqueças. Não regresses. Não regresses o mesmo homem que partiu. Vem outro, aquele que não conhecias e recolhe-te no silêncio do poema de Álvaro de Campos: "que repouso, depois de tantas viagens, físicas e psíquicas! Que prazer olhar para as malas fitando como para nada"

2013-08-07

manuel vieira - esposende

Como disse há dias o Martins Ribeiro, preciso mesmo de aliviar as ideias e aproveitei para repetir um ritual com a família nestas alturas e fui a Vila Nova de Cerveira visitar a Bienal naquela Vila, embora agora, ou de uns anos a esta parte, se encontre dispersa por cidades diversas do Norte até Compostela. Aproveito sempre para fazer uns registos fotográficos e deixar o meu cérebro rir-se nos esforços que sempre faz ao querer interpretar o fenómeno da rte contemporanea. Mas faz-lhe bem pois desformata.

Aproveitei ainda para ir até Ponte de Lima visitar "Os jardins" junto ao "Náutico", num concurso internacional que vale a pena presenciar e também já o faço há anos e os meus filhos e a minha sobrinha já interiorizaram na sua agenda biológica.

Amanhã vou reforçar o ritual de Verão com uma visita à Feira Medieval da Vila da Feira de que sou cliente há vários anos, aproveitando para comer à tardinha, já estafado, uma sande de porco no espeto.

O nosso Martins Ribeiro foi descansar os dedos para S.Martinho do Porto e o nosso Assis já fala de novo português.

Entretanto já pode ser lida uma entrevista ao Lamas, na rubrica certa, que esteve cerca de 2 anos com o depoimento do Davide, que estes dias vai até aos Fóios testemunhar as capeias raianas tão em voga nas aldeias do Sabugal.

Também em Pontos de Vista o tema foi renovado.

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