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2017-10-13

Luís Guerreiro - Brasília

                                                 É OUTONO


                                            É outono, já dos ramos,

                                            pendem os frutos maduros.

                                            Há folhas de muitas cores

                                             nos caminhos e monturos,

                                            outras caem lentamente,

                                            sonhando, em sua queda,

                                            o que foram noutras eras.

                                            Folhas caídas, anseio,

                                            anseio que não termina,

                                            coisa bela, coisa leda!

                                            Folhas mortas? Folhas vivas,

                                            dançando suavemente,

                                            sob o sol, sob as estrelas,

                                            ainda a valsa da vida.

                                            Folhas de outono caindo,

                                            folhas de história vivida,

                                            não sois só o que está indo,

                                            guardais a força contida

                                            de futuras primaveras.

                                            Outono é história finda?

                                            Não!

                                            É tempo de vida ainda!

 

Luís Guerreiro

2017-10-11

alexandre gonçalves - palmela

BARROSAL XXXVII - Equinócio do Outono

 

Ponto Prévio: Não é a primeira vez que o Aventino irrompe pelo site dentro, no gesto, a todos os títulos saudável,"de acordar/avisar a malta", segundo o avisado conselho de Zeca Afonso. Não há dúvidas sobre a existência de um sono avassalador hereditário. A instituição que nos ensinou a nadar também nos modelou para a indolência crítica. Consumimos, não criamos. Duramos mas não existimos. A violência aventiniana atira-se com razão a este sono institucional, a que alguns chamam de coma induzido sem finalidade. Não discordo desta irrupção, inspirada na torrente épica dos grandes cantores, que o autor cita com glória. Mas também aqui me surge uma surpresa. Se a intenção era aliciante, a ironia subsequente das teorias igualitárias volta outra vez a chocar-me. Que morte é essa que saiu à rua? Será que o 25 de Abril para uns foi moda, para outros mudança de vida? Foi assim tão traumatizante a "comunada" que sintas necessidade imperiosa de o lembrar tantas vezes? Desabafa para nós, que nós curamos, companheiro!!! Uma coisa é certa: não herdámos da instituição qualquer fundamentalismo. Seja o que isso for. A nossa brandura cristã é conciliadora. Não suporta ismos ou anti-ismos. Também andei nas canções, nomeadamente com Zeca Afonso, Adriano e Fanhais. Devo-lhes grandes alegrias e belíssimas lições de generosidade revolucionária. Foi a nossa festa de época, com indiscutíveis consequências para a vida, para o resto das nossas vidas. Nunca pratiquei nenhum ismo mas reconheço o grande mérito de todas as forças sociais que agitaram as nossas mentes e nos disseram que a mudança era possível. Como não reconheço grande valor às teorias paradas e paralisadoras da mente colectiva. São muitas as influências perversas que ainda vêm desses lados.

Mas não são estas considerações que me animam hoje. Este ponto prévio é dirigido especialmente ao nosso portentoso Aventino, que não pára de nos assediar com as mais diversas inquietações. Tenham elas o sinal que tiverem, vêm por bem e para avisar a malta. Por isso, nesta reabertura de hostilidades, dedico-lhe o Equinócio de Outono, desta outonalidade que teima em não se despedir do verão.

 

A fria queda súbita da tarde,

num horizonte de ouro velho e rubro, 

enquanto acelerado o tempo arde,

abre sazonalmente o mês de outubro.

 

Depois a noite cai pesada e rude.

Há restos de verâo dentro da vida.

Ninguém sabe onde mora a plenitude,

nem há nenhuma espera prevenida.

 

Outono, tempo doce, tempo triste,

ferido por feroz melancolia:

quem te falou do céu se não existe?

Quem insiste em promessas de alegria?

 

Vai chover brevemente na cidade.

O outono avisou a solidão.

Todos os rostos ficam sem idade,

na chuva fria que há no coração.

 

Não tarda, muda o tempo, muda a hora

e os dias são agora mais pequenos:

meu amor breve, não te vás embora!

Estes dias são hoje o que teremos.

 

Com fragor, cai a noite opaca e forte,

cobre a terra de treva embrutecida:

Lembra novembro a celebrar a morte,

porque um penoso medo tem da vida.

 

Serão assim iguais noites e dias.

Os dias são de lágrimas e açoites.

As noites são paisagens muito frias.

Violentas como os dias são as noites.

 



2017-09-27

Castro - Penafiel

Antes de mais UM GRANDE ABRAÇO PARA TODOS.

Pois não é que me vi obrigado a romper a cabeça dos dedos na sequência da última farpa lançada pelo Aventino? Não que me tenha passado despercebido o repto do Ismael Vigário há umas quantas semanas atrás.

Ora meus caros AAAR (Amigos Ainda Agora Redentoristas) o motivo de aqui estar prende-se apenas com as últimas duas linhas ou mais precisamente linha e meia do escrito do Aventino e que passo a trnscrever: se alguém da AAAR ainda continuar vivo, que leia, porque, há muto tempo que me recusei a escrever para mortos.

Precisamente esta frase foi que me fez acordar de entre os "mortos".

Pode não ser o modo ideal para dizer as coisas mas a mensagem assenta como uma luva a muitos de nós entre os quais me incluo.

Lamentou-se o Aventino a propósito da desigualdade que eu mesmo no trabalho do dia a dia apregoo. Costumo dizer eu a muitas pessoas com quem trabalho, a grande parte amigos de longa data que "numa empresa os trabalhadores não são todos iguais. Pelo contrário são todos diferentes e o modo como são tratados tem que ter em conta essas diferenças".

Não é desta desigualdade de que nos fala o Aventivo. Realidade que fruto também de uma parte do meu trabalho, conheço relativamente bem. Esqueceu-se a propósito desse assunto da "subsídio dependência", de dizer que uma boa fatia desses desvalidos, estão todos os dias de manhã e à tarde, alardeando numa pastelaria de referência, à roda de uma mesa com um pequeno almoço ou um lanche, à medida das necessidades dos beneficiários.

Claro que eu nunca cantei ao lado das figuras que referiu, mas estou certo de que a igualdade que cantaram aponta outro caminho que não o que ainda com cobertura constitucional, faz crer que todos têm direito a tudo. Claro que têm, mas convém que à medida de cada um procurem merecer esse direito cada dia que passa.

Como é evidente não estou  particularmente iluminado porque estou com a cabeça repartida entre o que vos queria dizer e o que vou fazer de seguida, pelo que me vou despedir.

O facto é que hoje é dia de fazer marmelada (coisa que não deve ficar à espera)... mas antes de enviar estas palavras, quero deixar bem claro que EU NÃO ESTOU MORTO, pelo que agradeço os textos que me têm proporcionado, todos os textos, ainda que o tema às vezes seja mesmo mesmo uma boa merda. E como escreveriam os mais jovens, LOL...

Também eu não gosto de falar com mortos mas às vezes faço-o de viva voz apesar da certeza que ninguém me ouve. Ainda assim falo. Pelo que, por maioria de razão, aqui estou a dizer-vos e a dizer ao Aventino que por cá estamos BEM VIVOS e por isso obrigado e continua a escrever.

E vós, COMO ESTAIS?

2017-09-24

AVENTINO - PORTUGAL

A MORTE SAIU À RUA NUM DIA ASSIM

Como uma questão prévia devo esclarecer desde já que:

1. cantei algumas vezes nos coros clandestinos do Zeca, do Cília, do Fanhais, do maravilhoso ADRIANO, do Fausto, do Pedro Barroso, do Samuel, do Janita e do Vitorino, de tantos e tantos meus heróis que povoaram a minha alma triste e desencantada de um país sem identidade e sem país.

2. sou visceral e convictamente anti-comunista e partilho apenas de um só pensamento de Alberto João Jardim, em que, face à nossa Constituição, o Partido Comunista Português é ilegal porque professa ideologias totalitárias e fascistas, tal qual os BECQS (entenda-se blocos contra as esquerdas) e os outros miúdos que não tendo nada que fazer, continuam a nada fazer.

Àparte isso, o que eu professo são os ideais da revolução francesa:

a) a igualdade deu no que deu: desigualdade. O que eu quero é viver num bairro, 32 euros de renda que nunca pagarei, energia elétrica pirateada do poste mais próximo que há-de abastecer quem a há-de pagar.

b) lixo pelas ruas, Rendimento de reinserção social instaurado pelo Padre Guterres, polícia com medo de me autuar, lixo pelo chão adiante, primeiro lugar nas urgências dos hospitais, nos Centros de Saúde, nas escolas, nos centros comerciais, porque todos me têm medo que me desboque e comece a ladrar pelos meus direitos.

c)nos tribunais sou tratado que nem um rei: a juizada tem medo de mim, porque à primeira convulsão escrevo lá para baixo, queixo-me, fico doente, reivindico por outro advogado porque este que me nomearam eu não quero, e o Conselho Superior da Magistratura abre um inquérito, inquire pessoas, anota na ficha disciplinar do juiz, da funcionária, do porteiro, do meteorologista, do gato que passou na rua e fugiu para o telhado.

d) o que eu quero ser é mesmo essa coisa de igualdade, de fraternidade e de liberdade com que a Maçonaria se alcandorou aos lugares cimeiros do poder. Igual ao bandido que furta, continua a furtar, continua e, com advogado oficioso, juizes cheios de medo a julgá-lo, leva com três milhões quatrocentas e trinta e três penas suspensas, de tal forma que só as há-de cumprir cinco mil milhões de anos após a sua morte.

e) o que eu quero ser é um cão, um gato, uma iguana, um canário qualquer bicho a quem se aplique a nova lei de direitos maricas de proteção da bicharada que não se reconhecem a este ser humano, pensante, trabalhador e que sustenta o mundo.

f) o que eu quero ser é ser mulher para poder dizer que sou vítima de violência doméstica. Atirar-me para o chão e chamar a policia, dar-me murros na cara e chamar a polícia, cuspir em mim própria e chamar a polícia, estoirar o dinheiro nas lojas da chinesada e sacar uma boa pensão ao meu adorado e imbecil marido que tanto jurou ajoelhado naquele dia do nosso casamento que a minha excélsia bondade nunca poderá esquecer.

g) finalmente, acrescento que afinal o que eu gosto mesmo é da desigualdade.
Depois disso, já todo o mundo riscou as palavras "liberdade" e "fraternidade" pelo que sobre esse assunto a inutilidade continua a ser uma inutilidade.

NOTA FINAL:

se alguém da AAAR ainda continuar vivo, que leia, porque, há muto tempo que me recusei a escrever para mortos.



2017-09-22

manuel vieira - esposende

"Já Bocage não sou", mas no seu dia as excrecências de que todos se livram serviram de mote à inspiração do nosso amigo Lamas que mereceu um sucedâneo do Martins Ribeiro, sempre atento e desejoso de versejar.

É verdade que algumas palavras não tinham os melhores enfeites mas também é verdade que  ninguém teve as tais sensações odoríferas que fazem reagir os vivos. E ninguém reagiu, com a devida exceção para o poeta António.

Dizia o Lamas que tivera intenções de mexer com a plateia ... mas não se sentiu o efeito. Mas sei que alguns dos nossos colegas mais vocacionados para os escritos já tentaram colocar aqui alguns textos mas o Flash e o Java não facilitaram e também o Internet Explorer e o Google Chrome na última  versão do Windows têm ocasionado alguns constrangimentos. Também o António Rodrigues nos ameaçou com uns contributos e ficamos todos à espera ...

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