fale connosco


2020-04-12

António Manuel Rodrigues - Coimbra

Caros confrades,

apesar do "confinamento" desejo que todos tenhamos tido uma Páscoa, se não feliz, na verdadeira acepção da palavra, pelo menos calma, sossegada e, à falta de melhor, com os contactos "internéticos" suficientes para abrandarem um pouco o afastamento físico de familiares, e os sentimentos de solidão e reclusão que a todos nos tocam.

A propósito desta situação tenho-me lembrado algumas vezes do nosso amigo Peinado. A designação de "ex-reclusos", de sua autoria ou apenas preferência, como a apresentaria ele hoje? "Ex-ex-reclusos", embora já não da nossa antiga e comum prisão; de novo "reclusos" ou auto-reclusos pelo facto de tão pacata e naturalmente aceitarmos este "aprisionamento?

Fisicamente ele não  pode responder-nos e eu apenas usufruí da evocação de um comum amigo.

Deus queira que na próxima Páscoa ainda nos encontremos cá todos, de boa saúde e, aliviados, recordando a aprisionada Páscoa deste ano.

Abraços "mediáticos". "volto já".

2020-04-11

manuel vieira - esposende

Caro amigo,

A dinâmica pascal tem este ano condicionantes bem diferentes sobretudo a nível da mobilidade, com o propósito evidente de proteção da nossa saúde e que são importantes, mesmo muito importantes...
Por isso "ficar em casa"  merece de cada um o propósito prudente de contribuir para a boa saúde de todos e também a oportunidade de apreciar melhor e pausadamente uma
mesa rica que é cartaz de tradição nesta época.

Os bons folares da aldeia levam muitos de nós às boas recordações e há quem lhes console o gosto, mas  as generosas fatias do pão de ló amarelinho , o tenro cabrito assado no forno e outros consolos são presença garantida em boas mesas.  

Lembrando a todos estes aconchegos, a cada um eu envio o meu abraço e os Votos de uma Páscoa Feliz,

Manuel Vieira
2020-04-08

Aventino - Porto

FINALMENTE:

 

No more kisses on my face.

2020-03-17

Aventino - Porto

PEDRO BARROSO:

E aqui te deixo o amor que já não te poderei dar.

Estamos ambos vazios; tu apenas do corpo e eu, e eu vazio de tudo. Até ao dia em que nos voltaremos a encontrar, todos os dias serão o resto que me faltava ao desencanto.

2020-02-27

alexandre gonçalves - palmela

A SEDUÇÃO DO PRETEXTO

A idade vai-nos tornando testemunhas abundantes e atentas. Estávamos lá, quando setembro concluíu o verão à sua maneira. Sem qualquer pudor, remeteu-nos à nossa casa de origem e à sua melancólica outonalidade. Nem isso a fortuna deixa durar muito. Na sua vertigem acelerada, o tempo abriu-nos um inverno húmido e abstrato, onde nos sequestrou numa abastada quarentena. Enfim, março à vista! Alegra-te, coração! Não precisas de argumentos nem de qualquer mecanismo de utilidade. Pega nas pernas e anda. É num quintal aqui perto.

Dizem os que sabem, a lampreia bem nutrida justifica os quilómetros que forem necessários. Mas aí é que está o equívoco. Até podemos acrescentar o tal coração de boi, o "BINHÃO", que até aos mortos dá vida e faz regressar os velhos à melhor juventude. Mas isso ainda seria muito abstrato, muito cálculo. S. Frutuoso é um restaurante em forma de útero, maternal, com uma suave curva feminina. Tem cerca de quarenta anos de exercício, sempre nas mãos delicadas da Maria Argentina. Claro, há também os apoios sensíveis do Zé, aquele actor americano dos anos cinquenta ou noventa, que até publica versos de nós bem conhecidos. E há ainda o sorriso paciente e minhoto do cunhado. Este trio faz milagres de bacalhau, de arroz-pica-no-chão e outras iguarias da indiscutível cozinha do Minho. Estes sabores familiares remetem-nos logo para emoções já recuadas. Mas o que nos faz correr é apenas o pretexto de um abraço, de uma palavra genuína, de um tempo que volta sempre, com alvoroço de alegria. Em nós, as coisas começam a ser últimas. É imperioso impedi-las  de o serem. Em Braga ou em Alguidares de Baixo, nós gostamos de nos vermos. E em S. Frutuoso, tudo ajuda a gostarmos um pouco mais. O desenho da sala lembra antigas funções, como a de vender vinho em tigelinhas, passando algum tempo depois a mercearia de bairro, abastecendo as populações dos mais diversos produtos domésticos. Mas há quarenta anos, estes três mosqueteiros viram ali uma fonte de ouro, trabalhando muito, amando muito, e às vezes gerindo com muita prudência ameaças e perigos. E os dois varões e as respectivas donzelas nem sequer se esqueceram de procriar oportunamente, aumentando o tamanho da família com quatro herdeiros, agora já voando por conta própria.

E por falar em pássaros, uma palavra para o referido actor, cujo currículo dava provavelmente um bom livro. O menino estreou-se na vida na Torre de Dona Chama, a meio caminho entre Macedo e Valpaços. Como todos os que em Vila Nova se abasteciam de futuro, também ele era pobre de nascença e foi em vão que pediu aos deuses o salvassem do mal que ali havia. O Zé não era cousa que se amestrasse naquele viveiro. Quatrocentos dias depois, sem lei que o proteja do trabalho infantil, arranja o primeiro emprego na terra que o viu nascer e onde a mãe ainda o vê derreter a infância, sem futuro que se veja. Obriga-o então a estudar qualquer coisa, para não repetir a fatal sina do nascimento. A escola comercial  também não é o seu lugar preferido. É altura para imaginarmos coisas mais suculentas do que os livros. Aos dezasseis já não é o menino da sua mãe. Angola espera-o  e abraça-o até abril. Regressa a tempo de outro emprego e Braga abre-lhe agora a sua oportunidade. Abril abriu festas e esperanças nunca vistas. E mostrou-lhe os vinte e cinco anos de uma jovem que por ali passava. Depois já não passa. Gere com brio uma caixa de comércio. É só entrar, olhar e esperar. Ambos sabem que é assim. E é assim que se sabe de uma velha mercearia, já exausta, que pede forças novas para servir o bairro e, por que não?, uma cidade. Os três mosqueteiros, belos, jovens e habituados à vida inventam o "S. Frutuoso". O nome é tirado de um vizinho, um badameco celestial e galego, pré-lusitano, que pelo Séc.VII consegue ali algum prestígio de bispo, com  alguma influência popular. Isso deu-lhe direito a uma capela da mesma data, de características visigóticas, que desafia o tempo e a memória dos curiosos. Porém, é preciso registar que entre os dois santuários,  referenciados com o mesmo nome, não há qualquer risco de confusão. Um é habitado, tem qualquer coisa de uterino e dá ternura a comer. O outro é obscuro, gelado e guarda uns ossinhos tenebrosos. Alguém tem dúvidas? Só há uma resposta:

apareçam no dia 7 de março de 2020 para as tirar.


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