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2013-07-27

manuel vieira - esposende

Ao escutar estas estrofes de silêncios zurzidas pelo Aventino junto aos velhos sobreiros do mosteiro medieval de S. João d'Arga, lembrei-me afoito da Arte na Leira, um pouco mais acima em Arga de Baixo, na Casa do Marco, que é também um dos meus rituais de visita em tempo de férias.

Sincronizando as bátegas de silêncios longos que se estendem pela serra agreste, contrasto com a miscelânia de artes expostas na Casa do pintor Mário Rocha onde este ano devem expor cerca de meia centena de artistas em várias expressões de materiais diversos.

Estive lá na primeira exposição divulgada pelo dr Francisco Sampaio nas televisões, era ele Presidente da Comissão Regional de Turismo do Alto Minho e assaltou-me a curiosidade.

Muitas telas expostas nos cobertos onde se guardaram rebanhos e lembro ainda o chão arranjado com areia limpa, isto em 1998 se me não engano.

Hoje ainda tem muito de "leira" mas os espaços já estão muito melhorados.

Um "trilho" bem curioso para quem quiser apreciar arte nos confins do monte entre casebres e casinhas onde se respira bom ar de graça.

2013-07-27

AVENTINO - PORTO

SE PERGUNTAREM POR TI, DIZ-LHES QUE FOSTE OUVIR O SILÊNCIO

Em ziguezague vou, uma curva para a esquerda outra curva para a direita, e outra e outra e outra. O COURA segue-me, frio e lento.  Subo, subo, subo. Para trás deixo pessoas, ruido, gente em luta, fraqueza humana, lixo. Ouço as águas do rio, limpidas e tristes, condenadas à perda da sua identidade, rio abaixo em direcção ao MINHO e do MINHO serão mar e, uma vez no mar, inexistentes. Ao alto da SERRA D'ARGA chego. E fico. É o meu ritual todos os anos como se a vida não se me cumprisse sem estes dias em que só quero o silêncio. Ao fundo, o sol vai embora, perdido no ocaso por detrás do mar e, aqui mais perto, o mosteiro beneditino sem frades e em ruínas, parece dizer-me que assim é mais feliz. Vem-me a voz do tojo, o amarelo das maias, o quente, quente desta fraga milenar onde me sento.

Ouço ou imagino que ouço o longínquo chocalho das cabras, o pio das garças, o zumbido das abelhas que asseguram o florir desta serra. Trouxe o saco-cama, uma manta, água, uma sêmea, maçãs e fiambre de perú. A gruta escavada por pastores de há muitos anos já me conhece de outros tempos. Abre-me a porta, os braços, espera-me. ("Toda a paz da Natureza sem gente vem sentar-se a meu lado. Alberto Caeiro, o guardador de rebanhos)

                    Quando a noite vier, este silêncio torna-se outro silêncio. Hei-de ouvir ou imaginar o pio das corujas, o uivo dos lobos, o latir dos cães lá do fundo do vale que deixei. E é deste lugar de onde vejo o mundo que não quero ver o mundo. Não quero ter nem ser. Não quero ir nem vir. Apenas este silêncio. A minha glória é esta: não ter outra necessidade nem sentir. Amanhã, se me for embora, voltarei à tristeza dos dias e à minha felicidadezinha.

2013-07-26

A. Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

😋

Já que vão falando por aqui em reclusão cumpre-me dizer aos ex-reclusos da Barrosa, dos quais faço parte, que ainda não fui de férias, falta só um chisquinho o que me dá ainda tempo de perorar por estes sítios. O grande Peinado, que por ser um dos principais "presidiários" suponho que terá até um lindo fato ás riscas, parece que ficou admirado da minha nova visão: mas sempre lhe digo que é verdade, agora sim, vejo coisas que já não via há muito embora - e isso é o pior - seja mesmo só para ver; e ainda irei ver melhor. Quando regressar de S. Martinho lhe contarei, pois tenciono exarar umas pequenas notas sobre esse maravilhoso paraíso. O nosso Vieira anda um tanto baralhado com as leituras destes nossos textos que até troca tudo; mas depois lá consegue emendar sem tornar essa emenda bem pior que o não dito. Acho que deveria tirar umas fèriazitas a ver se arrumava a cachimónia. Não me quero meter nas contendas do espaço das folhas A/4 da nossa revista entre o Arsénio e o Gaudêncio, porque eu não me posso queixar. Aproveito para esclarecer o amigo Lamas de que a minha "versalhada" da mota, que despoletou o seu estro de vate pindárico, (não confundir com pindérico) se deveu a um teste que combinei com o Vieira em como se poderiam incluir imagens alusivas aos tópicos que se iam publicando neste nosso magnífico espaço. Como não sou propriamente um cabeçudo informático sempre consegui o meu intento, porém, não é para abusar. Grande abraço para todos e, agora sim, ficarei calado e mudo até depois da minha vilegiatura. Inté!



 

2013-07-26

Antonio Peinado Torres - Porto

Boa tarde companheiros, Exmos Srs Ex-Seminaristas e Ex-reclusos da quinta da Barrosa,

cá estou eu a responder à chamada, não é porque gentilmente tivessem invocado o meu nome, mas sim, porque esta troca de palavras, sentimentos de alma, ou o que lhe queiram chamar , mantem-me vivo.

Começo por felicitar a Sónia, que ainda espero vir a conhece-la, por ter entrado na nossa página, foi um texto curtissimo, mas teve o condão de por uns quantos a escrever, a começar pelo Arsénio que no seu estilo quente e polémico, fez a saudação provocar azia, ao nosso companheiro Gaudêncio, quando estava no remanso de uma digestão, devidamente acomodado na sua poltrona.

 Subscrevo os reparos por ele efectuados, e em boa hora o fez e no local adequado. Do mesmo modo achei boa e cabal a explicação dada pelo Arsénio, falou em nome do " TRIO MARAVILHA " que merece todo o nosso carinho pela execução da nossa revista.

Prometo exercer toda a minha minúscula influência para que sejam agraciados no próximo 10 de Junho.

Meu caro José Lamas não fui de férias nem sei se vou, pois tenho assuntos pendentes de saúde para serem avaliados, mas continua a versejar, pois além de serem dignos de  serem lidos os teus versos, mostras que não és bom só no S Frutuoso, ( Bem a directora da orquestra, diga-se a cozinha, é a D Argentina )mas não é demais dizer é SANTUÁRIO a visitar.

E agora os PARABENS, para o Martins Ribeiro, que já consegue ver e sentir aquilo que já não sentia há muito tempo, o que será ? O nosso decano, que também escreve ,que o diga quando voltar de S. Martinho do Porto.

Parabens também ao FREI ASSIS que está na Polonia, a disfrutar da companhia da NETA e demais família. Não quero escandalizar nenhum dos meus amigos e companheiros, mas dou muito mais valor a esta troca de palavras e opiniões, do que à REVISTA, temos mias interatividade, falamos no momento, isto quem fala, pois os INTROVERTIDOS E SNOBES, entram mudos e saem calados. Voltarei Peinado

 

2013-07-26

António Rosa Gaudêncio - LISBOA

Meus caros amigos reclusos e ex-reclusos

De quando em vez sinto que sabe bem dar uma "sapatada" para espevitar a malta. E o que aconteceu, nestes últimos dias, foi um fenómeno desses. O povo acordou, e gostei das intervenções que por aqui apareçam. 

Meu caro Manuel aqui não há lugar ( pelo menos no que me toca) para melindres, daí a desnecessidade de pedir desculpas. Quanto ao nosso amigo Lamas, que eu não conheço mas hei-de conhecer, terá que ser ele a pronunciar-se e se for em verso tanto melhor.

Quanto ao meu amigo Arsénio estou plenamente de acordo contigo pois não deve ser fácil "paroquear" tal freguesia uma vez que, julgo eu, vários dos textos, que por aí surgem, devem exceder em muito o comprimento desejável para uma boa administração do parco espaço da Revista.

Eu confesso ter o péssimo defeito de, quase sempre, pensar e  desenvolver um qualquer tema mas sem ir medindo o seu comprimento e depois vem a guerra de o encurtar sem o truncar. Isso para mim nunca é fácil e daí a minha pouca propensão para cortar e embrulhar um assunto numa folha A4.

 Foram vinte e tantos anos a escrever relatórios sem ter que medir os metros ou centímetros dos mesmos............ Mas já estou a ficar "domesticado". O tempo dirá se é verdade!!!!!!!

Junto-me aos que esperam que o ENCONTRO ANUAL seja um momento de alegria, de bom convívio, de cultura e, porque não, também uma boa oprtunidade para continuarmos a nossa CATARSE colectiva.   

PS: Também começo a ter saudades das crónicas do nosso amigo Peinado!!!!!!!!!!

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