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2013-12-04

A. Martins Ribeiro. - Terras de Valdevez

Como enfatizava o Pe. Zé de Eiras, “aqui me pranto diante de vós” e também eu, se o faço, não é para justificar o que quer que seja mas para conversar um pouco convosco, o que só agora me foi possível. Bem sei que andei um tanto arredio destas paragens mas entendo que devo ter uma certa compreensão da vossa parte porque sempre fui um daqueles que mais tenho praticado uma certa assiduidade. Por isso, embora sabendo que me ia sujeitar a recriminações, foram extemporâneas as aguilhoadas dos chamados leitores de sofá que não são eles tão poucos e esses, sim, é que merecem reprovação pelo seu gratuito comodismo. Creio haver outros piores que eu nesse aspecto. O facto é que fui picado: primeiro pelo grande companheiro Peinado que jogou com o meu fraquinho por essa etérea fada-madrinha de nome Elisa e depois (nada de confusões) com o estafado remoque da tal FODA que ele julga ter sido incumprida, o que é falso pois muito brevemente darei notícias sobre tal promessa. Só me pergunto é se o caro Peinado estará em suficiente forma para aguentar tão violento puxanço. A seguir apareceu o amigo Lamas, emérito versejador, também a meter a sua farpa, lá está, trazendo igualmente á baila a inesquecível Elisa. Logo a seguir surge o prezado Diamantino um tanto agastado com a águia; ela nunca poderia ter sido falcão pois essa ave possui uma envergadura e uma majestade tão pronunciadas que fazem dela um ser admirável, ímpar na Natureza. O problema da águia é que postergou o seu instinto e deixou de caçar coelhos e demais ratazanas que fedem dentro das tocas deste País. Terá, como é lógico, os tais seis milhões de admiradores, suponho até que muitos mais, e que, certamente, vão ler a sua afirmação. É claro que, fosse algum dos seis milhões que tivesse escrito coisa semelhante, teríamos de invocar um animal mitológico de nome dragão, inexistente mas inventado para satisfazer certos desígnios de logotipo, pondo-o a cuspir fogo das narinas só para parecer mais feroz e, mesmo assim, me parece que nenhum o haveria de ler, por serem poucos os possíveis leitores. Até o nosso Né-Vieira, não indo na frente da procissão, também ajuda muito bem ao pálio com pequenas alfinetadas.

Bom, não seria necessário dar-vos qualquer esclarecimento acerca da minha lassidão mas, mesmo assim, quero dizer-vos que ela se deveu a dois motivos: o sol e o frio. Tem estado, na verdade, um frio cortante que não convida a fazer trabalhos no computador, sentado e parado em certas horas, sobretudo á noite e as que restam, durante o dia, há que aproveitá-las para sentir algum calor que o sol ainda proporciona. 

Aqui há semanas, recebi em minha casa a inesperada visita de um amigo que já não via há bastante tempo e então propus-lhe um passeio ao santuário da Peneda, até porque o dia se apresentava esplendoroso. Chegados ao alto de Rouças detivemo-nos no seu miradouro, colado ao céu e situado a meio do Outeiro Maior, do qual se desfrutava de uma abrangente visão das pardas ondulações da montanha a perder de vista até ao infinito, mesmo para além da serra de Las Nieves nas vizinhas terras da Galiza. De frente, o maciço montanhoso composto pela imensa mole de ciclópicos fraguedos, duma beleza colossal. Na lonjura da distância poder-se-ia distinguir, quase como um minúsculo ponto, a branda de S. Bento do Cando e noutra direcção as torres da igreja e os contornos do escadório do santuário da Senhora da Peneda. Lá muito no fundo sobressaía o casario de Rouças e apertado entre um córrego da vertente assentava o lugar de Tibo, contornado pelo riacho Pomba cuja correnteza rumorejante e esbranquiçada de espuma se diluía num braço do rio Lima agora convertido em barragem. Para essas gentes rudes da montanha esse mítico lugar personifica o chão sagrado donde a raiz da alma suga a vida; tanto que quando algum dos seus emigrantes se sente perdido nas noites do Destino dá consigo a suspirar, roído de saudade: 

“… ai o meu Tibo, quem me dera voltar ao meu Tibinho!”   

Caros companheiros, por hoje deixo-vos o meu apertado abraço e mais daqui a uns dias conto de vos endereçar o meu costumeiro postal de Natal.

2013-12-03

Arsénio Pires - Porto

Amigos:

Annuntio vobis gaudium magnum: Habemus Palmeira!

Amigo, ela entrou hoje nos CTT e sabe bem o seu destino: a tua casa!

Quando a ela chegar, recebe-a bem.

Afaga-a.

Beija-a.

Abraça os ramos dela.

Colhe, um a um, os seus frutos madurados pela generosidade de todos os que alimentaram este seu 36º natal: os articulistas e a dedicação do Grupo Coordenador.

E, se quiseres, ajuda-nos a melhorá-la com as tuas impressões.

Desculpa as imperfeições e gralhas que, certamente, encontrarás nas suas folhas.

Do Grupo Coordenador recebe os desejos de que tenhas um Feliz Natal junto daqueles que te são queridos.

2013-12-03

José Manuel Lamas - Navarra - Braga

Isto está uma desgraça

Todo o mundo nas encôlhas

Para alguém vir a esta praça

É preciso saca rôlhas

2013-12-02

manuel vieira - esposende

O Aventino mostra-nos como se serve o gin, uma bebida com bastantes anos mas que sobressaiu de novo nos bares com muitíssimas marcas e realçou o uso da colher para preservar o gás da água tónica, indispensável. Quase me incentivou o uso desta bebida especial.

 O Natal já mexe com o Diamantino e o Lamas poeta acicata o Ribeiro que ainda não destilou a pena para a resposta conveniente mas ela surgirá.

Entretanto em "Notícias" coloquei um texto retirado do blogue do pianista e professor José Eduardo Martins que fala sobre o "Passionário Polifónico de Guimarães" e do nosso colega Pedrosa e que pode ser lido no blogue do autor do artigo que consta no site www.joseeduardomartins.com.

2013-12-01

AVENTINO - PORTO

 

Sento-me numa das mais belas esplanadas da Foz no Porto. Escolho um lugar isolado. Nem fumadores, nem mulheres, nem televisão ou jornais a conspurcarem-me o silêncio que busco. Num canto recôndito desta esplanada, acolho-me, aninho-me, espero que seja o momento, esse momento de um sábado de sol e silêncio, pensamento e sonho. O empregado vem, fala-me e tira-me do desassossego que quero.

"Um gin". "Hendricks".

"Não, não. Quero que traga a garrafa, a água tónica e o resto, e, que o prepare aqui nesta mesa, à minha vista".

É assim mesmo. O gin está na moda e descobri que é uma das melhores bebidas do nosso encanto. Pede uma marca específica, nunca peças, "um gin, por favor"; "um gin, por favor é o mesmo que pedires lixo, um mau gin, o pior gin que houver, por favor, é a mesma coisa. Escolhe tu, comanda tu, segue o teu caminho como nos diz o Evangelho. Hendricks, Mare ou Monkey são sempre boas opções. Depois, escolhe a água tónica, que constitui o grando segredo da bebida. Exige que to sirvam ali na mesa, com solenidade e classe. Não deixes que nenhum empregado "despeje" a água tónica no copo. Sê tu. A colher própria, a água tónica, devagarinho, lentamente, como um ritual de iniciação para que o gás não se perca. Serve apenas 3/4 de forma a que o álcool e o sabor do gin não se anule na quantidade da água tónica. Agora sim, agora, estás em condições de beber. Trago a trago, gole a gole, como se procurasses o encanto de um novo sabor. E olha, vê, observa o mar. Outra vez, outra vez. O mar!

Ao meu lado, os livros. Esses amigos que me acompanham na solidão e  na multidão, no tudo e no nada, na hora certa em que sem eles é tudo inquietude e com eles a inquietude é que é.

Ao teu lado, os livros: Proust, Faulkner, Torga, Virgílio Ferreira, Sandor Marai, Javier Marías, Pessoa, Manuel António Pina, Padre António Vieira, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Le Clèzio, Aldous Huxley e uma infinidade de génios que povoam o teu sentir. Agora, continua, degusta o gin, observa o mar e serena. A felicidade pode estar neste momento livre em que o teu sentir é apenas não sentir coisa nenhuma.

Eu escrevo, as últimas palavras do meu último romance cuja abertura contigo quero partilhar:

"Se a minha mãe não me tivesse chamado nessa noite dos inícios de Maio do primeiro ano deste século, não saberia ainda hoje as três verdades com que, desde então, percorri esta minha vida"

 

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