fale connosco


2014-03-14

A. Martins Ribeiro - Terras de Valdevez

Boa Vieira, disto percebe o meu amigo. Devo dizer que eu fui um dos felizes comensais (malucos, diria eu) e não me pejo de confessar diante de vós a minha caloirice nestes esquisitos pratos. Na verdade, nunca tinha saboreado a lampreia confeccionada nesta vertente da assadura; tinha, no entanto, ouvido falar dela. Mas, como estava boa, não gostei nem desgostei, apenas posso dizer que foi diferente. Tanto assim é que, posta na mesa a respectiva travessa, logo o Peinado que a mediu com os olhos e viu que aquilo nem dava para encher a cova de um dente, de imediato mandou repetir a dose antes que fosse tarde. Mas o melhor veio na segunda hora: resolvemos invadir a casa dele e, entre uns copos da magnífica “pomada” - Encostas de Crespos - da lavra do Meira, passamos uns bons momentos jogando uma alucinante “suecada” que, apesar de um dos jogadores perceber tanto daquilo como um apanha-bolas, mesmo assim terminou com um honroso empate, pode mesmo dizer-se, de sabor a vitória. 

O Lamas, como quem atira a pedra e esconde a mão, lá vai metendo umas pequenas farpas com o fim de espicaçar este espaço pois não podem ser sempre os mesmos a fazer cócegas.

Li, algures, esta máxima: - “O que podes viver hoje não o vivas amanhã”: com ela concordo e procuro segui-la á risca enquanto posso e me deixam, por isso estou á espera que o Assis regresse das terras quentes de Vera Cruz para nos proporcionar a tão esperada favada da sua despretensiosa quintarola. Quanto ao resto termino com a sentença que encerrava os antigos almanaques e bordas d’água: “Deus, super omnia” que no nosso português vernáculo é o mesmo que dizer: haja Deus!  

2014-03-13

manuel vieira - esposende

Escrevia  Brillat-Savarin na sua obra “Fisiologia do Gosto” que “a descoberta de um manjar novo faz mais pela felicidade do género humano do que a descoberta de uma estrela”. E dizia também que “o prazer da mesa é de todas as idades, de todas as condições, de todos os países e de todos os dias; pode ser associado a todos os outros prazeres, e permanece como o último, para nos consolar da sua perda”. E para me compensar escreveu: “a mesa é o único sítio onde ninguém se aborrece durante a primeira hora”.

Vem isto a propósito de um repasto experimentalista que um grupo de 5 comensais conhecidos assumiu como imperativo, isto enquanto  longe o Davide festejava os seus 72 anos e a quem deixamos telefonicamente uma mensagem verbal de felicidades.

Isto  foi nos “ 3 Arcos” em Fão, um espaço curto e de ambiente atascado, que aparelhamos um tabuleiro de forno com uma ditosa lampreia assadinha com batatas, de molho guloso e divinal a contrariar as teses das modernices, que esta não o é nem foi em mesas fartas de famílias burguesas do outro século, pelo menos.

Com o ciclóstomo a baixar no preço, vou um destes dias testar uma receita própria de  empadão de lampreia, estufadinha primeiro com alho porro, um madurinho branco bom e os temperos certos das receitas conservadoras. Uma feijoadinha de lampreia também revigora bem e quanto baste e esse já prato é corrente em tempos de abundância do “peixe”.

Depois vos direi… atento ao que pensaria o conhecido gastrónomo francês do século XVIII que acima mencionei.

2014-03-13

José Manuel Lamas - Navarra.-Braga

Sem querer espicaçar
Cá vou tecendo meu pano
Assim como a aranha tece a teia
Só não tece o nosso Decano
Desde que comeu a lampreia
Aquele abraço
Zé Lamas .
2014-03-09

manuel vieira - esposende

“Ó lampreia divina! Ó divino arroz, /comidos noite velha em casa do Julião /Sem ter ceias assim, o que há-de ser de nós? / Sofre meu paladar.”

Escrevia Afonso Lopes Vieira, sobre a lampreia recordando esses comeres  no Julião das Iscas em Coimbra .

Na “cidade e as serras” Eça de Queirós descreve minuciosamente o escabeche de lampreia.

Refastelando-se na sua casa senhorial de Paredes de Coura, Aquilino Ribeiro, na sua obra “A Casa Grande de Romarigães” afirmava: “Não há como o arroz de lampreia, se lhe adicionarem uma colher de manteiga de pato”.

A lampreia à bordalesa é um guisado de ciclóstomo que nada tem a ver com o cozinhado francês e onde a forma de tempero e arranjo não se diferenciam da do arroz tão abundante nas práticas das casas minhotas.

Com que gula a mastigo eu, em mesa que ma apresente opípara no arroz do tacho, em grossos toros aromáticos, ou à bordalesa, ou de escabeche, que nestas três artes se mantém ela tentadora e sápida”, como escreveu Couto. Viana.

Meu caro Aventino, mais que a abundância de palavras sobre a dita cuja serpente, tentadora e disforme em travessas fumegantes, valem os paladares divinais do arroz soltinho de comer  à colher, ou os torinhos na espessura de dois dedos na suculência do molho que amacia o pão torrado ou o arroz sequinho de forno.

Um vinhão fresco das quintas protegidas do Alto Minho, de acidez macia e um borbulhar róseo e de aromas  a marcar as fraldas da  malga de porcelana alva que se eleva suavemente a desvanecer a sede, completa um repasto vasto em qualquer mesa larga onde nos assentemos para dar largas ao prazer.

Para rematar fica sempre bem umas Clarinhas de Fão, uns folhadinhos da mesma arte ou um leite creme com bolacha, de ferro quente ou canela a gosto ou um Abade Priscos. Em S.Frutuoso foi mesmo de comer à colher… e que bom!

Mas vou parar porque já não tenho cabedal para  mais!

 

2014-03-07

aventino pereira - PORTO

 

LAMPREIA COM ARROZ

Ouço a vossa voz, nutrida e farta do arrozal de lampreia à mesa de uma amizade contida no restaurante em Braga. Sabemos  o que nos diz a História, de no MINHO ser de arroz e no resto dos locais onde se aprecia o bicho, ser de bordaleza e mais recentemente de modernices, tais como assada, de escabeche, em empada e até em pizza.

E sabemos que o MINHO foi terra de diferenças sociais, de pobreza e miséria, de esfomeados galegos fugidos às garras de um dos maiores fascínoras da Humanidade. O arroz enganava a fartura, enchia a barriga, era uma boa fonte de energia para os serviçais, criados e "escravos" que abundavam a amanhar a terra, a bater o ferro, a picar a pedra para as casas daqueles que tinham casa.

A lampreia tinha o efeito contrário, de dificil digestão, criava moleza, prejudicava o trabalho. Daí que o MINHOTO, finório, criou esse modo de NÃO se comer lampreia, mas muito arroz e pouco bicho.

Pelo gáudio que trazeis a este nosso "fale connosco", não terá sido o vosso caso e a lampreia terá abundado em quantidade e qualidade deixando o arroz claramente a perder, e, a inveja e o desejo de um repasto assim a quem não esteve presente.

SEJAMOS FELIZES!

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