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2014-01-17

A. Martins Ribeiro. - Terras de Valdevez

       O Juiz decidiu … está decidido. O dia da segunda de Monção será o 25 deste mês. Poder-se-á conceder um pequeno prazo para um possível recurso que terá de ser, forçosamente, resolvido de modo sumário. Também foi citado no “acórdão” que as senhoras fazem parte integrante da cerimónia. O ponto de partida será em Arcos de Valdevez entre as 10,00 e as 11,00 mas para quem não poder cumprir este horário poderá aparecer pelas 12,30 no local do evento, denominado Pousada do Sossego, situado na freguesia de Barroças e Taias. Vindo do lado de Monção e seguindo a estrada nacional 101 em direcção ao sul (Arcos), dista cerca de 10,8 quilómetros e fica mesmo junto dessa via, numa recta chamada do Terrônho, do lado esquerdo. Partindo dos Arcos seguir-se-á pela mesma estrada em direcção ao norte (Monção) e a 24,5 quilómetros encontra-se o mesmo sítio mas do lado direito. Quem tiver GPS poderá marcar as seguintes coordenadas: 

Latitude  41.994316

Longitude -8.500893

Vai lá ter certinho. 

Fico á espera, e como diz o Aventino, não de Godot mas de todos vós. Vinde os mais que puderdes. Ah! As contas, como prefere o Peinado, são á moda do Porto mas, creio, não vai ser necessário contrair nenhum empréstimo para pagar a despesa.   

2014-01-16

alexandre gonçalves - palmela

 

     LEITÃO  DE  NEGRAIS

 

A história começa assim: "era uma vez um menino com dez anos...." O menino cresceu e espontaneamente começou a contar. Nasci numa aldeia que não tem geografia nem coordenadas. E é verdade, tenho dez anos, fiz a quarta classe e já tenho raiva. Herdei-a directamente de meu pai, que entendia o mundo com simplicidade e clareza. Andava eu brincando os meus tenros dias, quando caiu do céu um raio de luz. Vinda do céu, não era celestial. Sendo homem, não pertencia à espécie humana. Ficava a meio caminho desses extremos. Era o Pe. Teodoro, onde a bondade era superior à paisagem que eu habitava. Falou com meu pai e ambos improvisaram, com ingénua ternura, o meu futuro. Nessa altura eu ainda tinha muito, embora não soubesse qual fosse. No dia seguinte, já era outubro. As folhas dos carvalhos foram solidárias com a minha partida. O vento soprou-as ma minha direcção mais íntima e guardei-as como quem esconde um brinquedo proibido. O cavalo, o caminho de terra batida, treze quilómetros de estranha despedida. É uma cena fílmica, um tanto exagerada para o meu gosto. Meu pai à frente, eu atrás, sob um capote comprido e quente, e dos lados os alforges com as malas. É de madrugada, faz frio, faz escuro e eu penso. Meu pai é silêncio. Depois é a vila, é a vida , é a solidão e uma total ausências de palavras para me proteger. Nem o pai, nem a mãe, nem a irmã, nem a prima. Tenho dez anos, tenho frio, tenho medo. E uma infinita via férrea, apontada como um tiro de obus ao meu futuro.

A história come-se e bebe-se à medida que o leitão se expande sobre o sagrado lenho da memória. O falerno do sul ajuda a mastigar. O fogo destrói o frio que se agita no vento sobre os cedros. A chuva pousa com doçura na relva e nos arbustos. É janeiro, é o começo do mundo, é uma casa na pradaria. E uma voz que fala novo, que protesta contra a hora sinistra, que pergunta a Deus o que anda a fazer na terra dos homens. Que pergunta aos homens o que andam a fazer a si próprios, ignorando a impunidade, diabolizando os afectos, perversos predadores da própria espécie a que pertencem. Depois vem a sobremesa com o café. A sala está mais quente. Negrais traz um conforto sonoro aos sentidos. O fogo, irmão gémeo das pedras e das origens, cresce na lareira e apazigua o tempo. Já não temos pressa. Fala, meu amigo! Discorda com veemência! Repousa um pouco da caminhada. Ama se ainda fores capaz. E grita para as cidades que não estás disponível para abandonar a cena. 

2014-01-11

ANTÓNIO GAUDÊNCIO - LISBOA

UMA PEDRADA NO CHARCO

( O seu a seu dono: o título fui surripiá-lo ao Urbano Tavares Rodrigues que tem um livro assim chamado )

Na minha última intervenção queixava-me eu da ausência da minha mão direita e prometia voltar quando a mazela estivesse debelada. Aconteceu que, poucos dias após, a mesma moléstia deixou-me sem mão esquerda. Por isso, face à dupla situação de impotência ( manual), vou escrever com os "pés" e o que sair, sai....

Também poderia tentar outros meios para comunicar pois eles existem. Possivelmente poucos se terão apercebido da publicação, há uns anos atrás, de um livrinho intitulado « O Escafandro e a Borboleta ». O que de mais interessante este livro tinha é que havia sido ditado ( literalmente ) com a « pálpebra » do olho esquerdo do seu autor. Para quem sabe a história passe ao parágrafo seguinte mas,  para aqueles que tiverem curiosidade, eu resumo num instante.

Um conhecido e bem sucedido jornalista francês sofreu um AVC aos 43 anos. Quando recupera do coma, verifica que tem as suas faculdades mentais intactas mas ficou com o corpo totalmente paralisado (não fala, não mexe, não anda, etc, etc ). Mas aos poucos apercebe-se que consegue mover a pálpebra do olho esquerdo. Depois de muito treino e muita paciência, consegue comunicar com uma enfermeira que vai servir de elo de ligação entre o seu mutismo absoluto e o mundo exterior e vai ser ela quem recolherá todo o conteúdo do livro que foi publicado com o título que vos referi. ( Julgo que em breve um dos TVCines pagos vai exibir o filme baseado no livro ).  

Vamos agora à pedrada no charco, ou mais concretamente, às propostas do Aventino para mudar e melhorar A PALMEIRA.

Já muito se disse e muito se escreveu sobre o assunto por isso o que vou dizer será supérfluo e redundante. Mas quero deixar muito claro que eu alinho, concordo e subscrevo tudo o que o Aventino nos propôs.

Acho que A Palmeira tem vagueado sem rumo certo, sem um fio condutor, cheirando muito a sacristias e molhando-nos, por vezes, com muita água benta que, como sabeis, está quase sempre inquinada com bactérias, sendo por isso de evitar.  Era possível fazer melhor, ou diferente? Claro que sim mas para isso era necessário haver vontade, uma maior conjugação de esforços e deixarmos de lado um certo ar de posse que sobe à tona de quando em vez.  E ao enunciar estas coisas não quero, de forma alguma, menosprezar nem melindrar esses quatro "mosqueteiros" que têm dado o corpo ao manifesto e têm publicado a revista que depois, pelo que se diz, é imensamente apreciada mas não sei se lida. E espero que eles continuem com a sua tarefa de nos alegrarem, pelo menos,  duas vezes por ano. Pelo que atrás fica dito, custa-me dizê-lo, mas eu acabo por alinhar com os que defendem a solução da continuidade. Todavia entendo que me fica bem justificar ao Aventino o porquê desta posição.

Era óptimo termos uma revista como essa que sonhaste e desenhaste neste site e a minha modesta ajuda nunca seria regateada para dar vida a tal projecto mas as condições da AAAR tornam impraticável a sua concretização. Repara só em três ou quatro coisinhas que passo a referir.

Fazemos parte de uma Associação que « tem prazo de validade ». Daqui a meia dúzia de anos quem terá tempo ou disposição para pensar na Palmeira? Quem tem segurado a Associação tem sido a geração de 50. As honrosas e valiosas excepções são os Nossos muito queridos amigos Luís Guerreiro e Martins Ribeiro ( dois minhotos de boa cepa ).  Da década de 60 pouca colaboração tem vindo e quando digo pouca não quer dizer que não seja boa mas é pouca.

Por isso temos que concluir que a Associação não tem "massa crítica" para dar vida ao teu projecto. Fazendo um pequeno cálculo aritmético, vemos que, considerando a década de 50 mais metade da de 60 ( até 1965 ), temos 15 anos corridos. Admitindo que nesses 15 anos a entrada média de alunos teria sido de 30, teríamos um universo de 450 potenciais associados. Número pequeno para além de sabermos que alguns nem querem ouvir falar da Associação, outros já faleceram, outros instalaram-se no dolce far niente e restaram uns quantos para irem acendendo os foguetes e correrem a apanhar as canas.

Surge, em seguida, uma outra questão de peso : o financiamento. Uma revista melhor, com melhor grafia, com mais folhas etc, implica necessariamente um maior esforço financeiro. Confesso que não tenho um conhecimento nem sequer aproximado sobre os teres e haveres dos nossos companheiros. Sei que alguns estão muito bem de vida, outros estão bem, outros benzinho, outros assim assim, mas outros haverá que podem estar com problemas. Sobre isto o que sei é que há um défice a afectar a publicação da revista num formato em que cada número terá um custo que pouco irá além dos € 10. 

Outro ponto que dificulta, e de que maneira, a renovação da Palmeira é conseguir colaboradores que queiram fazer um esforço extra nesta altura da vida. Querias certamente, tal como eu desejava, colaboradores bastantes que respondessem em número e qualidade às exigências da nova revista mas, infelizmente, não temos. Há colegas que dão boa matéria? Há. Há outros que poderiam contribuir com boas achegas? Há mas não se "achegam". E assim  ficamos limitados a uns poucos, quase sempre os mesmos, o que não potencia nem incentiva a fazer uma revolução profunda na revista.Espero, todavia,  que destes debates alguma melhoria surja no horizonte da Palmeira.

Posto isto, meu caro Aventino, não te vou dar o ombro para te confortar porque nem o meu ombro presta nem tu precisas de conforto e, além disso, não és homem para te vergares frente a esta nega  tão insignificante. Para encerrar o assunto deixa-me citar-te uma frase que um velho amigo me dizia quando as coisas não corriam bem : « Homem, não desanimes porque piores dias virão ». E já agora continua a presentear-nos com os teus belos textos, mas não tão espaçados, e não esperes por Godot. Não perdeste nenhuma guerra ( como já ouvi em algum lado ) quando muito perdeste uma batalha.......e com muitos pontos a teu favor.

Voltarei quando as mãos mo permitirem.............

2014-01-10

José Manuel Lamas - Navarra - Braga

Peinado tem cautelinha

Tu és pessoa astuta

O que omiti não diz Paulinha

Quer apenas dizer puuuuuta.

 

Ao ler palavra tão perversa

Até se me toldam as vistas

Mas será isto conversa

Própria de ex-seminaristas ?

 

Aquele abraço

   Zé Lamas.

2014-01-10

Antonio Peinado Torres - Porto

 Bom dia Amigos e Companheiros

A minha cabeça já deita fumo e estou atingir o limiar da LOUCURA, e porquê ? O nosso poeta ANTÓNIO ALEIXO, que também usa o pseudómino de ZÉ LAMAS enviou um dos seus versos que terminava com os seguintes carateres P......a. Se tivesse só .., é óbvio que saberia o que quereria escrever.

Se tivesse ....., pensaria que fosse o diminuitivo carinhoso da 1ª conclusão, mas ......, não chego lá, consultei dicionários , enciclopédias, li Bocage e até António Aleixo, e nada, cheguei a PAULINHA, mas este diminuitivo não me diz nada.

Todos os que consultam esta página devem ter chegado lá, eu não, e portanto peço ajuda pois ainda tenho uma boa parte do cérebro a funcionar e gosto de interpretar bem aquilo que leio.

 Meu caro MARTINS RIBEIRO,se nada houver em contrário no próximo dia 18 lá estarei na hora e no HOTEL por si indicado para participar no ACTO.

ZÉ CASTRO " VOLTAREI "não está registada, nem paga direitos de autor, podes usá-la sempre que te aprouver, este rapaz sentirá alegria e lisonjeado, por ver que daquilo que escreve pelo menos o termo da despedida agrada a alguns VOLTAREI PEINADO

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