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2018-12-22

José Maria Pedrosa Cardoso - Oeiras

Caros Colegas de sonhos:

A todos vós, que alguma vez sentistes por dentro o que é Natal, a minha saudade e votos de perene satisfação na Vida.

Vosso sempre mas especialmente em Natal,

JMPedrosa Cardoso

2018-12-22

Irene e Luís Guerreiro - Brasília

Amigos:

Peço ao Manuel Vieira, por favor, que inclua estas minhas linhas no nosso “sítio” para desejar a todos as Boas Festas de Natal e Ano Novo, a vós e a vossas famílias. Neste ano, talvez não irei escrever a mais ninguém, apesar de que alguns o deviam receber.

 

Os dez anos que estive longe em Castelo Branco e Angola, não pude conhecer os nossos seminaristas de Gaia. Com eles, há uma ligação da mesma vida, mas em tempos distantes. Os que estiveram comigo nos oito anos dos seminários de Gaia e Castelo Branco, estão ainda no fundo do meu coração.

 Mas é claro que o meu sentido vai mais aos dos de Castelo Branco. Foram os fundantes do nosso novo seminário. Estes e eu.

Quando deixei o caminho que jamais havia abandonar, eu pensei que os meus alunos de ontem me respeitarão, por exemplo, à moda da gente da minha terra: Doutor, Senhor, Você, ò Luís, numa vez “Padre”. Sendo Padre, eu poucas vezes vinha a Gondarém. E, numa das vindas de Brasil, já com a esposa, o meu povo ficou de boca aberta perante tanto carro e pessoas, à roda da minha casa.

 

Porquê deixei? Eu tinha suportado a experiência dos cinco anos de Vice-provincial e era agora o Superior da Missão da cidade de Serpa Pinto. E eu passava por uma época dramática. Em 1973, o Vaticano II ainda estava quente e eu era dos esperançosos.

 

E para mais chegou de Roma uma freira-teólogo para a nossa Escola dos Catequistas e logo começou a falar de mais com o Superior. A Geral das Freiras ouviu o caso e, voando de Roma a Angola, e, já na Missão de Serpa Pinto, rapidamente ordenou à teólogo que, tendo os papeis e o voo, partirá para a Áustria, para um monacal, onde poderá pensar e decidir. Decidiu por um mês. Deixou a vida religiosa, voltou à Alemanha e fez-se professora de religião de uma escola.

 

Eu, o Superior da Missão, até ali era um bom Padre. Depois o Guerreiro não era mais nada. Perdi todo meu valor. E talvez o perderá em todas as nossas Missões. Portanto, aqui eu já não tenho lugar. Vou pedir ir ao Brasil, visitar o meu pai e o meu irmão, construtor empresário.

Cheguei à Brasília em 13.07.1974 e em 20 de julho comecei a trabalhar com o contador. Logo, às noites, traduzia artigos para a revista CONCILIUM. Foi no mês de outubro que pedi aos superiores religiosos que mandassem os meus papeis a Roma. Era mais um padre que se ia.

A nossa Igreja, que se diz de Cristo, quer usar a servidão, mas Cristo não quer a servidão, mas um serviço livre. Escrevi à teólogo, agora com o seu nome Irene, disse-lhe que eu também vou ficar livre. Queres ser casada comigo?

Em janeiro, entro na Universidade Católica, 4 anos, aulas noturnas, Administração, pensando que seria isso o fim da minha vida. Eu só fiquei 7 anos com o meu irmão. Assim dei-me à tradução em três línguas, para várias editoras, primamente a Editora da Universidade UnB; estive por lá 4 anos. Depois fui administrar por 10 anos o Goethe-Institut em Brasília.

Chegou a reforma, mas não parei; as minhas horas, até hoje, são para a tradução e a escrita dos meus livros. E não posso esquecer que, eu e a minha mulher, devido às várias línguas, pudemos, desde 1982, combinar com outras associações de padres casados.

 

A teólogo, a Irene, ficou só um ano na Alemanha e foi juntar-se ao Luís. Casaram-se em 18 de Outubro de 1975. Mas, não havia porta aberta para um emprego para a Irene. Esperamos. Por fim, a Embaixada da Alemanha buscava uma secretária e encontrou-a, na Irene, uma das melhores. Ficou lá 30 anos. E, como eu, ela é ativa em casa e faz diversos trabalhos voluntários como visitar doentes no hospital, costurando enxovais para crianças pobres, ajudando pais que não conseguem lidar com a orientação dos seus filhos etc. E, últimamente, também age como uma secretária, ajudando, por exemplo, o Luís nos seus escritos que agora já não são tão como eram os de antes.

 

Não quero esquecer o nosso filho, o André. Depois de três anos de casados, Irene e Luís, tivemos um filho. Tem hoje 40 anos e deu-nos muitas alegrias. Boa escola, curso de piano, ensino de piano, curso de Biologia com Diploma de Bacharel da UnB, Brasília. Em 2000, foi em intercâmbio de meio ano entre a Universidade de Brasília, Brasil, e a de Estocolmo, Suécia. No fim, o nosso filho recebeu uma bolsa da Suécia para começar a pesquisa necessária para dar os passos dos artigos e defender o da tese.

 

O André defendeu a tese sobre câncer, em Abril de 2008, no Karolinska Justitutet, Estocolmo. É Doutor, pesquisador cientista do Instituto, e espera que chegará a Professor.

 

E isto já vai longe. Sabeis um pouco mais da nossa história. Que a nossa e a vossa sejam uma realidade mais alegre do que triste.

 

Feliz Natal e um bom Ano Novo.

 

Luís, Irene e André

 

 

2018-12-22

José de Castro - Penafiel

Meus Queridos Amigos

Apesar de há muito tempo não dar sinal de vida a verdade é que me mantenho atento a tudo o que aqui é escrito e até pelo que fica por escrever. Sou um visitante diário desta página.

Estamos na Quadra Natalícia e também por isso aqui teria que vir enviar um grande abraço a todos os que por aqui passam e uma palavra de agradecimento a TODOS os autores dos maravilhosos textos que foram publicados desde a minha última intervenção.

Estando próximo o Natal recordarei um nosso Companheiro de Viagem que já cortou a meta.

Esse Companheiro que recordo é o Albino. Albino Coelho Lopes.

Ele é o tema do meu conto de Natal!

Morreu e certamente terá sido enterrado mas não faço ideia onde. Morreu sem nada. Sem ninguém. Sem uma mensagem de Boa Viagem e até breve. Certamente não terá tido um "belo enterro". Se calhar não viu nenhum de nós no dia da sua última viagem; não por culpa vossa mas eu devia ter estado mais perto dele. As circunstâncias afastaram-nos e partiu só.

Faz alguns anos que por esta época, o levei todo o dia a passear como sempre fiz em períodos festivos durante os anos que o acompanhei mais de perto. Esses dias para ele foram especiais. Foram dias de sol, bem o sei.

No final de um desses passeios Natalícios, como de costume íamos ao Jumbo comprar bens para a sua Consoada. Na última vez que o fizemos, apesar de ele se deslocar com muita dificuldade a verdade é que o perdi. Comecei a procurar fazendo o percurso em sentido inverso pois ele não poderia estar longe. Onde estava ele? Na zona das hortaliças escolhendo uma boa penca para o Jantar de Natal.

Disse-lhe eu: Ó homem! O que é que te deu para estares no meio das couves? Responde ele: Sem pencas não há Natal.

Ri-me a bom rir e tirei-o dali para fora (sem qualquer penca) e continuamos a fazer o seu cabaz de Natal com produtos "pronto a comer". Se as pencas fossem para sua casa eu tinha a certeza que teriam como destino uma morte lenta entaladas estre dois móveis ou no meio da louça que há meses aguardava uma barrela, até que o mau cheiro se impusesse e o obrigasse a ver-se livre do que delas restasse.

Isto pode parecer duro mas era assim.

Foi um Colega que bem conheci pois os nossos pais eram colegas de trabalho e ainda antes de eu ir para o Seminário já tinha comido em casa dele à mesa com a sua família.

Agora falo para ti Albino:

No Seminário foste o meu "anjo". Nem bom nem mau mas eras o meu "anjo".

A tua memória já não te permitia recordar esse facto que como podemos imaginar terá sido um frete para ti. O mesmo não se diga de mim que era uma criança e mais novo uns anos do que tu. Fui eu mesmo que te recordei o bem relacionamento dos nossos pais descrevendo-te a casa e a cozinha dos teus pais e te convenci que de facto eu sabia mesmo quem tu eras e que tinhas sido o meu "anjo".

Tu respondeste: Naquela época eu fui teu anjo. Agora és tu o meu anjo.

Meu Amigo Albino. Acho que não mereci a confiança com que me premiaste ao permitir que estrasse na tua casa. Já tinhas comido em minha casa à minha mesa com a minha família. Já muitas vezes te tinha ido buscar e levar, mas ficavas à porta até que eu fosse embora. Não querias que ninguém soubesse como vivias mas a certa altura abriste-me a porta e a partir desse dia só te deixava quando fechavas a porta da cozinha que era o nosso caminho até à tua cama no quarto que não tinhas. Quase não havia espaço para dar a volta mas era a tua casa e senti-me especial no dia que me convidaste a entrar.

Obrigado por isso mas sei hoje que não estive à altura do desafio que era ser o teu "anjo".

Mesmo assim foi gratificante para mim ver o teu progresso ao longo dos cerca de três anos que estive mais perto de ti. Quando pela primeira vez tentaste escrever algo para ser publicado na "Palmeira" era cada palavra um erro. Com o passar do tempo eras tu que corrigias os teus próprios erros ortográficos a ponto de uma vez me teres entregue uns manuscritos e depois, a teu pedido, eu ter ido ter contigo para me dares novas folhas com as palavras mais buriladas.

Porque assim foi vou tentar que todos os Colegas AAR's tenham acesso ao teu último manuscrito que desejaste ver publicado mas que por circunstâncias várias não aconteceu até hoje.

Assim te prestarei o meu último tributo.

QUE TENHAS FEITO BOA VIAGEM e até já.

Agora para os meus Caros Amigos AAR's:

Tenho dois textos do Albino. Um penso que é um diálogo imaginado com um filho dele ainda que possa não se chamar Luis. O outro é um "DIÁLOGO oração a Deus".

Este segundo não se recomenda a pessoas sensíveis mas como ele está a escrever para OS AAR's não haverá certamente graves consequências.

Não sei como anexar os ficheiros pelo que vou falar com o Vieira e ele fará o favor de os publicar e explicará onde os poderão ler.

Para todos um ABRAÇO AMIGO E UM SANTO NATAL

2018-12-22

Arsénio de Sousa Pires - Porto

Saudoso Adolfo, poeta em quase todas a horas e filósofo, como eu, nas restantes.

Recebi a tua carta. Nem sei bem se hei-de chamar-lhe carta pois, no meu tempo, só aprendi algumas letras rabiscadas em papel ou lousa… muito a custo! E as cartas chegavam pelo carteiro. Mas recebi-a que aqui também existe a tal internet. Foi uma jerica experta nessas coisas de botões electrónicos, e que trota muito bem por essa rede, que me pôs em contacto com o mundo daí. Que saudades da Madalena, Adolfo poeta-filósofo! O Frouxo cozinhava tão bem! Pena eu ser vegetariano!

Aqui entre nós, vivo em união de facto com ela, a jerica, desde que para aqui me despacharam. Assim, nas horas que ela me dispensa (é muito possessiva!), cá me vou distraindo olhando as margens a que vós chamais eterna idade e contemplando o rio que corre… sem água. É que aqui, não há Primavera, Verão, Outono ou Inverno. Isto é uma seca pegada sem qualquer nuvem no céu que possa anunciar chuva. Como é que vocês, os “corvos” da Barrosa, cantavam? Rorate caeli desuper et nubes pluant justum, não era? Aqui não há nuvens. Só azul. (Ah! Mário! “Um pouco mais de azul – eu era além.”)

Tu apelidas-me de Aristóteles, o filósofo. Mas olha que de filosofia só possuía (possuo) a albarda e o cabresto.

Na albarda resumi quase toda a filosofia do mundo. Filosofia? Ia a dizer "ciência"…! Talvez Platão não se importasse. Ele anda por aí em contínua disputa peripatética com Sócrates (o grego, claro!) sobre quem disse o que o outro disse que ele disse. Não se entendem…! E não será isso a filosofia? Até já ouvi Platão vociferar ao ouvido de Sócrates:

- Tu és meu filho. Eu hoje te gerei. De maiêutica percebo eu. Aliás, tu nem sequer exististe, sabias?

Mas, voltando. Na albarda guardei (e guardo) quase toda a filosofia-ciência do mundo. Mandei-a fazer num albardeiro da rua da Rasa, na subida para o Monte da Virgem. Tu já não te lembras. Eu, sim, continuo com memória de burro pois, ao contrário do que tu dizes (desculpa!), vivo cada vez mais do e no passado já que, aqui, não há futuro e o presente não consigo agarrá-lo. Ou não fosse eu burro!

Então, para não perder o fio à meada, vamos à albarda.

Ordenei ao albardeiro:

Escolha bom colmo, do melhor trigo desta colheita, para preencher o interior da minha albarda. Sabe que no trigo está toda a filosofia-ciência do mundo? Sabe qual é o fruto do trigo? O grão?! Nem pense! É o Pão! Dele e nele nasce e cresce toda a vida.

O colmo do trigo ainda hoje me segreda de dentro da albarda:

Eu sou o Pão vivo que nasceu da terra. Quem comer deste Pão terá a eterna idade. “Deste” Pão e não “este” Pão porque o Pão não é para comer isolado mas para repartir com os outros!

(Eu estava lá quando o Pão nasceu. Eu e a vaca. Fazia tanto frio...!(Na Barrosa não havia vacas. Nem jericas. Só machos! Uma lástima! Fazia tanto frio...!)

A minha filosofia tem, também, um bom resumo no cabresto. Zenão e Séneca foram os meus mestres de filosofia. Como burro que era (e sou) sempre pensei desta maneira quando, quase imóvel, permanecia de pé olhando muito além das areias da Madalena dizendo para mim:

- A minha filosofia não consiste naquilo que digo mas naquilo que faço com aquilo que digo. Custe o que custar. (E, às vezes, vocês carregavam-me bem com tachos, panelas, batatas e demais víveres, lembras-te?) Anda, jerico, resiste frente ao desânimo causado pelos males e agruras da tua vida! Liberta-te da raiva, da inveja e da malezurrança! Aguenta o cabresto! Não deves fazer aquilo que queres mas aquilo que deves e podes. Controla-te e zurra só contra ti. Todos os jericos são iguais pois todos nascem de jericas. E todos, jericos e jericas, somos produtos da Natureza. Sê compreensivo e compassivo como é próprio dum bom jerico. A Ética é a fonte da Paz e da Felicidade.

Por tudo o que ficou dito, saudoso Adolfo, estás mesmo a ver que nunca fui (nem sou) filósofo de escola. A minha filosofia é um modo de vida. Por isso adorei tudo o que de mim disseste porque foi para a minha praxis que conduziste as letras da tua carta. Só uma sensibilidade de poeta como a tua me faria sentir a tal Felicidade Completa: suportar o peso que vier e fazer tudo por alguém).

Aqui também é Natal.

Vou ocupar o meu lugar no estábulo. Dum lado e do outro da manjedoura, ficaremos eu e a minha companheira.

Ele não pode ter frio!

Vós, os da Barrosa, também não!

Faltava-me a tua carta para ser Eterno.

 

2018-12-21

Manuel Vieira - Esposende

Nada como um bom naco de prosa para aquecer este cantinho, a merecer boas pinceladas de tantos quantos entendem da poda.

O Adolfo apresentou de forma elaquente a figura menos eloquente mas profíqua do Aristóteles, o asinino que apascentou na Barrosa e deu o seu contributo nos trabalhos árduos até à Madalena e talvez Salgueiros.

Não sei se a sua teimosia era tão persistente como a deste site, que teima em não acatar a colagem do belo texto do nosso colega, ao que julgo em estreia e que mereceu um colete amarelo do Gaudêncio, num protesto que se escutou longe.

Espero que agora resista aos abanões inusitados das malandrices informáticas e daí este meu acrescento para tentar perceber e também experimentar estes constrangimentos ...

 

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